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A história de um tenista brasileiro que vai voltar às quadras após anos aposentado deve virar filme nos próximos anos. Mas não é um nome conhecido do público, como Guga Kuerten, e sim o paulista Paulo Camargo, de 53 anos.

Nascido em Itapetininga, no interior de São Paulo, ele conheceu o tênis já na adolescência e praticou o esporte até os 18 anos, quando sofreu um acidente de moto em uma estrada. 

Sem capacete no momento do impacto, Paulo teve uma reabilitação marcada pelo ganho de peso, pelo excesso de álcool e pelo afastamento das quadras. 

Até que, aos 30 anos, –idade em que muitos tenistas profissionais já pensam em aposentadoria– ele decidiu retomar o sonho de conquistar um ponto no ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais), tendo seu auge nas duplas, em 2006, quando chegou a ser número 706 do mundo. 

Agora, Camargo pretende romper uma outra barreira, voltando a competir profissionalmente aos 53 anos. Ele já está inscrito no M15 de Maringá, no Paraná, torneio de nível de entrada do tênis profissional masculino, que acontece entre 18 e 24 de maio. 

“Em 4 anos, saí do zero a 700 do mundo” 

Paulo fala abertamente sobre os erros da juventude que interromperam seu plano de ser um atleta profissional.

Ele admite que sofreu o acidente de moto quando disputava um racha em uma estrada no interior de São Paulo, e conta que “abandonou completamente a própria vida” após sofrer com as sequelas.  

“Comecei a beber, nunca mais peguei em uma raquete, fiquei sedentário, engordei 40 kg, não tinha propósito nenhum na vida, e acabei passando praticamente 12 anos sem fazer nada e bebendo cada vez mais”, conta o paulista à CNN Brasil. 

O tenista afirma que um sonho que teve quando era criança, em que era ovacionado pela torcida após uma partida, fez com que ele decidisse voltar a treinar.

“Aos 30 anos de idade, tomei a decisão de que minha vida só podia seguir esse caminho. E aí eu parei de beber imediatamente, emagreci 40 kg em 4 meses e decidi voltar a jogar profissionalmente, sem estar jogando tênis. Primeiro, eu tomei a decisão.” 

Nos anos anteriores, Paulo tentou abrir quatro empresas, mas chegou à falência em todos os empreendimentos. Ele lembra que virou “a grande piada” da cidade em que vivia ao mudar de rumo mais uma vez. 

“As pessoas falavam que era ridículo, que era impossível, que eu nunca ia conseguir. E aí voltei a jogar aos 30 e em 4 anos saí do zero para chegar a 700 do mundo. Sozinho, sem dinheiro, sem nada”, afirmou. 

“Brinco que sou um grande perdedor bem sucedido”

Ao falar dos momentos mais marcantes no seu retorno ao tênis, Paulo destaca a conquista do primeiro ponto ATP, em 2004, quando passou a figurar no ranking profissional dos duplistas, na posição 1752.

Na época, ele abordava pessoalmente os organizadores de torneios de nível de entrada no profissional, ajudando até mesmo na busca de patrocínios para ser convidado a participar. 

O primeiro ponto veio menos de seis meses depois do primeiro torneio, em Santos, depois que os adversários do tenista brigaram em quadra.

“Naquele momento eu dei aquele primeiro passo, né? Eu perdi 79% das partidas que joguei, só perdi praticamente. Mas eu brinco que sou um um grande perdedor bem sucedido, porque realizei o sonho da minha vida assim, perdendo a maioria das partidas”, avalia.

“Fui o anti-herói ali, eu fui o cara que alcançou o que uma pessoa normal poderia alcançar, não o que um fenômeno do tênis poderia alcançar.” 

Parceria especial

O ex-tenista, que nunca pontuou em torneios de simples, vai seguir investindo na carreira de duplas na sua volta às quadras. Inicialmente, a ideia é formar uma parceria com o também veterano Lucas Engel, de 44 anos.

“Ele estava há 5 anos lutando contra o câncer e agora, que ele conseguiu vencer, aceitou na hora jogar comigo. Vai ser uma dupla centenária e ele é um cara muito especial. A gente tem um propósito muito grande por trás dessa volta.” 

Paulo disputou eu último torneio em nível profissional em 2008. Desde então, ele segue trabalhando com tênis, mas como professor.

Para o retorno às quadras, ele mudou a alimentação e a rotina de treinos, e passou a fazer acompanhamento médico com uma equipe especializada, especialmente por uma lesão no ombro com que convive há anos. 

“Hoje eu tenho um suporte maior, tenho estrutura. É algo que eu nunca tive, tudo era sozinho, dormia no chão se precisasse, ficava sem comer, não tinha médico, não tinha treinador, não tinha nada.” 

“Agora eu tenho uma estrutura grande por trás, tem um parceiro de dupla que é um cara gigante, um super tenista, de altíssimo nível. Então acho que hoje a coisa está mais justa, antes era difícil.” 

Ideia de filme é ter tênis como coadjuvante

Mesmo escrevendo novos capítulos de sua história no tênis, Paulo já tem um livro sobre sua vida, intitulado “1%: Até onde você iria?”. 

O plano é que a obra se torne filme, com produção das consagradas Ultra Violeta e Fábrica Filmes. Nos últimos anos, a equipe focou em conseguir o orçamento necessário, que está na casa dos milhões.

Caso tudo saia como esperado, a ideia seria começar as filmagens ainda esse ano, segundo o tenista. 

A ideia não é fazer um roteiro sobre tênis, e sim uma história com tom humorístico sobre as dificuldades enfrentadas por “uma pessoa normal” no circuito profissional do esporte.

“É um filme que vai ter uma parte de comédia muito grande. Tem uma parte de drama, porque passei por muitas coisas pesadas na vida, mas ele vai ser voltado para um humor leve, passando essa mensagem de sonho de superação. Vai falar de tênis, mas não é um filme sobre tênis”, detalhou.

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Fonte : CNN

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