wp-header-logo.png

A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina afirmou que havia expectativa de que o Plano Nacional de Fertilizantes já estivesse em andamento no país, com medidas concretas para ampliar a produção interna. Apesar disso, as políticas previstas não avançaram como esperado, segundo ela.

“A gente esperava que ele tivesse sido finalizado e colocado em prática, com as políticas necessárias para que o Brasil tivesse pelo menos, pelo menos, 35% de capacidade de produção própria”, disse em conversa com jornalistas em evento realizado nesta segunda-feira (23), em São Paulo. 

Ela pontuou que é “impossível” que o Brasil se torne 100% independente das importações, que hoje representam quase 90% do que é utilizado pelo agro brasileiro. 

A senadora destacou que essa dependência expõe o país a oscilações internacionais. “Toda vez que tem uma guerra a gente tem insegurança, os preços sobem e se refletem no preço dos alimentos”, afirmou.

“Não é possível que um país que é the maior produtor de soja, maior produtor de proteína, grandes produtores e exportadores não pense em ter pelo menos parte do que nós consumimos [de insumos] produzido no Brasil”, acrescentou.

Entre os entraves para ampliar a produção interna, Tereza Cristina citou dificuldades ambientais e regulatórias. “Nós temos autorizações ambientais que estão travando há anos a produção de potássio”, afirmou, citando o projeto de Autazes (AM). 

Além disso, mencionou projetos industriais que não avançaram, como uma unidade de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas (MS). “Ela tem 80% ou 90% de investimentos feitos, mas está parada há muitos anos”, disse.

A senadora também destacou a necessidade de avaliar a viabilidade da produção de insumos como o nitrogênio, que depende do gás natural, e o papel do governo nesse processo. “Mesmo sabendo que às vezes não é rentável, é um problema de segurança nacional”, defendeu.

Segundo ela, o avanço do plano depende de iniciativa, sobretudo, do Executivo. “O governo precisa dar a linha, o pontapé inicial, e a iniciativa privada com certeza fará o seu papel”, disse. 

Fatores externos

Tereza Cristina pontuou que, em meio a um cenário de baixa rentabilidade do produtor brasileiro, e um “cenário adverso para grãos”, os fatores internacionais tendem a pressionar ainda mais o ambiente, provocando uma alta do endividamento no país. 

“Hoje nós temos aí essa complicação no Oriente Médio, a Rússia também continua com as mesmas restrições, o problema dos navios. E o que é que vai acontecer? Preços mais altos, o produtor que já está endividado, vai ficar mais endividado”, afirmou.

A parlamentar avaliou que o contexto é preocupante para o agronegócio brasileiro, especialmente diante da concorrência internacional. Ela observou que o aumento de preços não ocorre apenas no Brasil, mas em outros países, que também buscam ampliar sua participação no mercado.

Alta do diesel e biocombustíveis

Diante da alta nos preços dos combustíveis associada ao conflito no Oriente Médio, a senadora destacou os impactos sobre o abastecimento e os custos no Brasil, com ênfase no diesel e nos biocombustíveis.

Segundo ela, o cenário atual reforça a importância de políticas de incentivo ao uso de alternativas como etanol e biodiesel, apontados como opções para diversificar a matriz energética. A senadora mencionou que, em um contexto de instabilidade internacional, a ampliação do uso desses combustíveis poderia contribuir para reduzir a dependência de fontes tradicionais.

Ela afirmou que um aumento imediato na mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis poderia ser considerado como medida emergencial. A parlamentar também citou a ausência de uma nova reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) para discutir o tema, após encontro realizado na última semana.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu