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Um inquérito conduzido pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) reúne denúncias graves de assédio moral e sexual envolvendo o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto.

O caso veio à tona por meio do depoimento de uma policial, ouvida como “testemunha protegida”, que relata uma sequência de investidas indevidas, abuso de autoridade e retaliações dentro da corporação.

O tenente-coronel está preso acusado pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana.

De acordo com o termo de declarações, a policial afirma que passou a ser alvo do oficial entre julho e novembro de 2025, período em que ele comandava a unidade onde ela atuava. Em um dos episódios mais contundentes, ela relata uma tentativa de beijo forçado dentro da companhia.

“Ele tentou me beijar, contudo me afastei e coloquei minha mão para impedir. Disse ‘seu limite é aqui’”, afirmou.

A testemunha descreve que, após o episódio, o comportamento do superior se manteve insistente. Segundo ela, o tenente-coronel fazia convites frequentes para encontros fora do ambiente profissional, sempre com conotação pessoal. “Ele dizia que poderia fechar a porta da sala para que ninguém soubesse que eu estava ali com ele e o que estaria fazendo.”

As abordagens também aconteciam durante o expediente e, segundo o relato, incluíam convites para atividades físicas e encontros informais. Em uma das situações, o oficial teria sugerido intimidade de forma explícita. “Ele me convidou para nadar com ele e disse ‘na boa’, piscando, dando a entender que poderia ter algum tipo de intimidade comigo.”

A policial afirma que recusou todas as investidas e deixou claro que não tinha interesse em qualquer relação fora do âmbito profissional. Ainda assim, segundo o depoimento, o comportamento persistiu e passou a impactar sua rotina de trabalho. “Eu somente queria paz”, afirmou a policial.

Retaliação profissional

Após as recusas, a testemunha relata ter sofrido consequências diretas dentro da corporação. Entre elas, uma transferência considerada prejudicial, que a afastou de sua base original. “Tenho certeza que essa transferência ocorreu porque eu não quis me relacionar com ele. Foi uma espécie de vingança.”

O depoimento também aponta que o oficial utilizava sua posição hierárquica para tentar criar vínculos pessoais e pressionar subordinados. “Ele queria que eu ficasse devendo favores para fortalecer as iniciativas dele em relação a mim.”

Possíveis novas vítimas

A policial afirma ainda que outras colegas também teriam sido alvo de comportamentos semelhantes, mas não formalizaram denúncias por medo. “Tenho conhecimento que ele assediava outras policiais, mas elas não têm coragem de denunciar.”

Mesmo após conseguir ser transferida, a testemunha diz ter vivido sob tensão e receio de represálias ao decidir levar o caso às autoridades. “Tenho muito medo da possibilidade de represálias dentro da própria PM.”

O caso segue sob análise do Ministério Público.

A CNN Brasil entrou em contato com a defesa do tenente-coronel, mas ainda não houve retorno. O espaço segue aberto.

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Fonte : CNN

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