Em 1976 o cantor Djavan lançou sucessos como “Flor de Lis” e “Fato consumado” no álbum “A voz, o violão, a música de Djavan” com canções cheias de ineditismo em harmonia e composição. 50 anos depois, o nome do cantor pode se envolver em mais um feito inédito: a participação pela primeira vez em uma Copa do Mundo.
É claro que não há feito inédito para o Brasil em Copas, mas para Suriname, país da América do Sul que tentará uma vaga na competição a partir do jogo da repescagem contra a Bolívia, nesta quinta-feira (26). É neste elenco que Djavan atua. Djavan Anderson, o lateral.
“Insiste em 0 a 0, eu quero 1 a 1”
O técnico da seleção, Henk ten Cate, escolheu o lateral-direito (eventual meia), que ao “ge” explicou a origem do nome.
Djavan é filho de mãe surinamesa e pai jamaicano. Foi o pai quem teve a ideia, pois morou no Brasil e gostava de ouvir a canção do Djavan brasileiro. Anderson, inclusive, visitou o Brasil diversas vezes, no Rio de Janeiro. O país vizinho também faz fronteira via a borda do Pará e Amapá
“Eu ia muito ao Brasil, ficava meses lá. O país respira futebol. Tudo é futebol. Você vai na praia e as pessoas estão jogando futebol. Eu me apaixonei pelo país logo de imediato. Sempre digo que preciso voltar. O mais especial para mim eram as pessoas, a forma como se tratavam. Para mim, é um lugar muito especial”, comentou.
A fama internacional do Djavan, que já gravou até com Stevie Wonder, faz o Djavan jogador ser reconhecido pela música que, no fim, não é o seu talento. “Então, você pode imaginar: quando estou lá e digo meu nome, as pessoas começam a falar português comigo”, explicou ao “ge”.

“Fato consumado”
O cantor brasileiro já explicou a origem do seu nome. “No meu caso, minha mãe, quando estava grávida, sonhou com um navio que se chamava Djavan e decidiu me batizar assim”. Simples assim.
“Mesmo por toda riqueza dos xeiques árabes”
Djavan é jogador do Al-Ittifaq, dos Emirados Árabes Unidos, e tem 30 anos. Na temporada de de 2025/26, ele atuou em 13 jogos, deu 2 assistências e marcou 1 gol.
Meio holandês, Djavan passou pela base do Audax, por clubes italianos como a Lazzio e Salernitana e pelo inglês Oxford United.
Nas eliminatórias da Copa do Mundo, ele participou de 4 partidas. Dois empates e 1 a 1, contra Panamá e Guatemala, uma vitória por 4 a 0 contra El-Salvador e uma derrota diante da Guatemala por 3 a 1.

“Djavanear” o que há de bom
Djavan, o brasileiro, tem uma ligação intensa com o futebol. Além de citar clubes em suas músicas, como Flamengo (em “Boa noite”) e o Vasco (em “Êxtase), o cantor alagoano foi jogador de futebol antes de se dedicar completamente à música.
Entre 1961 e 1965, Djavan Caetano Viana foi atleta da base do CSA, em Maceió, atuando dos 15 aos 17 anos. Ele atuava como meia armador e foi justamente nesta época que trocou a bola pelo violão.

“Se…”
Para que o Djavan do futebol alcance um feito inédito da carreira, ele e seus colegas de seleção precisam vencer a Bolívia e, depois, enfrentar o Iraque em disputa valendo uma vaga no Grupo I, composto por França, Senegal e Noruega.
Ou seja, Suriname pode entrar no grupo composto por uma seleção uma bicampeã mundial e dois países com histórico vasto em Copas. “Valei-me, Deus” ou “São Jorge, por favor, me empresta o dragão”, diria Djavan, o brasileiro.
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Fonte : CNN