A inteligência artificial pode agravar o problema da desigualdade de renda, declarou Larry Fink, CEO da BlackRock, em uma carta anual aos acionistas.
E, embora essa não seja uma perspectiva particularmente nova, as soluções propostas por ele não são tão convencionais.
Na carta, divulgada nesta segunda-feira (23), ele afirmou acreditar que uma maior participação no mercado de ações e um programa de seguridade social reformulado poderiam ser a resposta para reduzir essa disparidade de riqueza.
“Quando falamos sobre o impacto econômico da IA, a maior parte da conversa gira em torno de empregos”, disse Fink, cuja empresa de gestão de ativos administra mais de US$ 14 trilhões em ativos de clientes.
“Essa é uma questão extremamente importante, que vai além da economia. O trabalho proporciona renda, propósito e dignidade”, continuou.
Mas ele ressaltou que, mesmo que a IA reduza a demanda por alguns empregos, especialmente os de nível básico em escritórios, ainda existem oportunidades no mercado de trabalho.
“A curto prazo, há funções que sabemos que têm demanda clara e são bem remuneradas: profissões especializadas, especialmente aquelas que constroem a infraestrutura física da IA, como data centers, sistemas de energia e redes elétricas”, disse ele.
“Por décadas, muitas sociedades associaram sucesso a um diploma universitário e a uma carreira de escritório. À medida que a tecnologia remodela partes desse cenário, precisamos de uma conversa mais ampla sobre oportunidade, dignidade e o valor de differentes tipos de trabalho”, analisou.
No início deste mês, a BlackRock anunciou uma iniciativa de US$ 100 milhões para expandir o desenvolvimento de profissões técnicas especializadas nos próximos cinco anos.
Na carta, Fink comentou que Jensen Huang, CEO da fabricante de chips de IA Nvidia, argumentou que “todos deveriam ter a oportunidade de ganhar bem e que não é preciso um doutorado em ciência da computação para isso”.
Necessidade de investimentos mais amplos
Fink também disse que, com a disrupção causada pela IA na sociedade e na economia, é ainda mais crucial que uma parcela maior da população tenha acesso a investimentos em ações para evitar o aumento da desigualdade.
“A grande maioria da riqueza fluiu para pessoas que possuíam ativos, não para aquelas que ganharam a maior parte do dinheiro trabalhando”, escreveu ele.
“As pessoas muitas vezes querem investir nos mercados financeiros dos próprios países, mas não têm os meios”, destacou. Portanto, é importante haver oportunidades de investimento mais amplas para os trabalhadores, ressaltou.
“A história sugere que as tecnologias transformadoras criam um valor enorme — e grande parte desse valor se acumula para as empresas que as desenvolvem e implementam, e para os investidores que as detêm”, disse.
“Há um risco real de que a inteligência artificial possa ampliar a desigualdade se a propriedade não se expandir na mesma proporção”, sinalizou.
Entre as ideias que ele apoiou está uma proposta para um fundo de investimento diversificado para aposentadoria do governo, paralelo ao atual da Previdência Social, e não para substituí-lo, com um investimento inicial de aproximadamente US$ 1,5 trilhão.
“Isso não significaria privatizar a Previdência Social ou investir tudo no mercado de ações”, disse ele. “Significaria introduzir um grau de diversificação”.
A BlackRock é a maior empresa de investimentos do mundo, com grande parte dos ativos em planos de aposentadoria. Esses ativos aumentaram US$ 698 bilhões somente em 2025.
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Fonte : CNN