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Soledad Palameta Miller, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que havia sido detida em flagrante suspeita de furtar vírus armazenado em um laboratório da instituição, foi solta após audiência de custódia na tarde desta terça-feira (24).

Na decisão da juíza Valdirene Ribeiro de Souza Falcão, da 9ª Vara Federal de Campinas, confirmou haver provas concretas do crime e indícios de autoria contra Soledad.

O MPF (Ministério Público Federal) se manifestou favorável à liberdade provisória da docente e chegou a sugerir o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de que ela acessasse a Unicamp.

Já a defesa de Soledad argumentou o fato de a mulher ser mãe de dois filhos, de 2 e 5 anos, para solicitar o relaxamento da prisão.

A Justiça negou a conversão em prisão preventiva e a mulher teve a liberdade provisória concedida com medidas cautelares:

  1. Comparecimento mensal obrigatório à 9.ª Vara Federal de Campinas
  2. Proibição de ausentar-se de Campinas por período superior a 5 dias sem prévia autorização judicial
  3. Pagamento de fiança no valor de 2 salários-mínimos
  4. Proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp
  5. Proibição de sair do país sem autorização da Justiça

Entenda a dinâmica do furto

A situação teve início quando foi constatado, na manhã de 13 de fevereiro, o desaparecimento de caixas contendo amostras virais do Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp.

O material estava armazenado em uma área classificada como NB-3, um ambiente de alta contenção biológica sujeito a rigorosos protocolos de biossegurança. A ausência foi notada por uma pesquisadora com acesso autorizado ao laboratório.

As investigações apontaram que a professora Soledad não possuía um laboratório próprio na FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos), o que a levava a utilizar espaços emprestados de outros docentes.

Entenda o caso: Mulher é presa por furto em laboratório de biologia da Unicamp

Como ela não tinha acesso direto aos laboratórios de onde o material foi retirado e movimentado, ela contou com a ajuda de terceiros para entrar nos locais, especificamente de sua de mestrado que abria as portas para ela.

Após subtrair o material, que pertencia ao acervo da professora Clarice Weis Arns, Soledad o transferiu para outros ambientes da universidade.

Os policiais localizaram as amostras escondidas dentro de freezers pertencentes a outros professores no Lemeb (Laboratório de Doenças Tropicais e no laboratório de Engenharia Metabólica). O material biológico foi encontrado aberto e manipulado.

Além de armazenar o material de forma irregular, a polícia localizou uma grande quantidade de frascos descartados dentro de lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células.

Saiba como foi a prisão

A prisão foi realizada durante investigações após comunicação da própria instituição sobre o desaparecimento do material.

As equipes foram à residência de Soledad, mas ela já havia saído com o marido em direção ao Centro Médico, pois estava “nervosa com a situação”.

Ela foi abordada e presa em flagrante logo em seguida, enquanto conduzia seu veículo Jeep na Rua Bortolo Martins. A professora optou por ficar em silêncio durante o interrogatório policial.

Ainda foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas. O material subtraído foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise.

A ação foi realizada pela PF (Polícia Federal) e contou com o apoio técnico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Os investigados irão responder pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

Em nota, a Unicamp informou que toma as medidas cabíveis e colabora integralmente com as autoridades competentes.

A CNN Brasil entrou em contato com a defesa da professor, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Veja quem é a professora

Nascida na Argentina, Soledad, de 36 anos, é professora da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) da Unicamp desde agosto de 2025. Ela ainda era coordenadora do Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, de onde os materiais foram subtraídos.

Iniciou sua carreira acadêmica como bacharel em Biotecnologia pela Universidad Nacional de Rosario, na Argentina, em que é graduada desde 2013.

A docente é doutora em Ciências, na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde, pela Unicamp e pelo LNBio (Laboratório Nacional de Biociências). Durante o doutorado, desenvolveu nanopartículas biológicas derivadas de capsídeos retrovirais para imunomodulação antitumoral.

Além disso, tem pós-doutorado realizado no mesmo laboratório em que os materiais foram furtados, na Unicamp.

Ela também possui registro de uma patente voltada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus.

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Fonte : CNN

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