wp-header-logo.png

Recentemente, a influenciadora brasileira Júlia Medeiros, 24, que vive em Miami, surpreendeu seus seguidores ao anunciar a realização de um lifting facial cirúrgico na Turquia.

O motivo? Uma tentativa de se antecipar às marcas do tempo. “Eu olhava para o meu rosto e pensava que poderia prevenir algo que talvez só aparecesse anos depois”, afirmou Júlia, ao refletir com os seguidores como a aparência dita como o mundo enxerga a maturidade de alguém.

No entanto, o caso acendeu um alerta vermelho na comunidade médica. Especialistas questionam não apenas a eficácia de usar a cirurgia como “prevenção”, mas os riscos psicológicos e físicos de intervenções tão invasivas em pacientes que sequer apresentam sinais de envelhecimento.

Idade biológica x estética

Embora Júlia tenha buscado a cirurgia para “alterar a percepção da idade biológica”, a cirurgiã plástica Heloise Manfrim, membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), esclarece que a ciência da estética não funciona dessa forma.

“Procedimentos não são ferramentas para mudar a idade biológica de ninguém. Eles atuam sobre a anatomia, não sobre o metabolismo celular ou o envelhecimento sistêmico”, explica a médica.

Segundo a especialista, o risco para jovens que buscam esse caminho é duplo: o físico e o de “revisões constantes”. “Quanto mais cedo se começa a intervir, maior a chance de revisões ao longo da vida. Existe o risco de fibroses e alterações irreversíveis que comprometem a naturalidade”, alerta.

Potenciais riscos

Para o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da ASPS (sigla inglesa para Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos), o problema central não é a segurança da cirurgia em si, mas a sua indicação. Um lifting facial costuma ser recomendado a partir dos 40 anos, quando há queda estrutural da face.

“O grande risco neste caso é a paciente alterar o formato de seu rosto e sua anatomia e futuramente se arrepender. Ela quer retardar um envelhecimento que ainda sequer aconteceu, o que vai contra o senso comum na busca por um lifting”, pontua Rubez.

Ele reforça que, embora procedimentos como rinoplastia ou próteses de mama sejam comuns em jovens, o lifting é definitivo. “Submeter uma pessoa a uma cirurgia sem ter indicação pode gerar uma grande frustração no futuro”, completa.

Bisturi como resposta

Um ponto de concordância entre os especialistas é a necessidade de um olhar voltado para a saúde mental. Júlia afirmou que sua aparência não refletia a “juventude interna”, uma justificativa que, para especialista, sinaliza um debate sobre aparência física.

Manfrim destaca o papel das redes sociais nesse cenário. “Em pacientes jovens, muitas vezes ocorre uma percepção distorcida ou influência estética das redes sociais. O mais responsável é fazer uma avaliação psicológica e, muitas vezes, dizer ‘não’. A cirurgia plástica deve respeitar o tempo do corpo, jamais competir com ele.”

Rubez reforça a questão, sugerindo que o tratamento deveria ter passado pelo aspecto emocional antes do bisturi. “Numa idade tão jovem, não se espera que uma pessoa queira rejuvenescer. O problema é maior do ponto de vista psicológico do que físico”, finaliza.

 

 

 

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu