wp-header-logo.png

O senador Sergio Moro se filiou ao PL (Partido Liberal) na manhã desta terça-feira (24) ao lado do também senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O congressista se junta ao partido visando uma disputa pelo governo do Paraná.

Principal juiz da Operação Lava Jato, Moro deixou sua carreira de 22 anos como juiz federal para ser ministro da Justiça do governo Bolsonaro, logo após as eleições de 2018.

No entanto, em abril de 2020, o ex-juiz rompeu com o então chefe do Executivo, depois de acusá-lo de interferências na PF (Polícia Federal). À época, Bolsonaro havia demitido o então diretor-geral da corporação por querer um nome de confiança.

Rompimento com Bolsonaro

O então ministro precisou lidar com diversas saias-justas com Bolsonaro. Uma delas foi a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Economia.

A mudança se deu por decisão do Congresso Nacional, mas, depois, o presidente transferiu o órgão para o Banco Central. A iniciativa, porém, foi tomada em meio a suspeitas apontadas pelo órgão em relação à Flávio, hoje pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Foi a partir do relatório produzido pelo Coaf que se iniciou a investigação sobre o esquema das rachadinhas, que teriam acontecido no gabinete de Flávio quando ele ainda era deputado estadual, entre 2007 e 2018.

Moro deixou a pasta tecendo críticas ao governo. Chegou a dizer que indicações políticas a corporações como a PF não eram aceitáveis “de maneira nenhuma” e acusou Bolsonaro de não se comprometer com o combate à corrupção.

Também criticou o governo por sua gestão da pandemia de covid-19 que deixou mais de 700 mil mortos no país e pela falta de vacinas: “Onde está a vacina para os brasileiros? Tem previsão? Tem Presidente em Brasília? Quantas vítimas temos que ter para o Governo abandonar o seu negacionismo?”.

Em 2022, Moro decidiu concorrer à Presidência contra Bolsonaro, que disputava a reeleição. Contudo, desistiu da corrida ainda durante a sua pré-candidatura.

Foi eleito ao Senado pelo Paraná no mesmo ano e, no segundo turno, declarou apoio a Bolsonaro.

Relação com Flávio

Durante a disputa presidencial de 2022, Flávio, que hoje declara apoio à candidatura de Moro, publicou artigo de opinião no jornal Folha de S. Paulo com o título “Moro soltou Lula”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu a disputa contra Bolsonaro em 2022 e hoje é o maior rival de Flávio na corrida eleitoral.

No texto, o filho do então presidente afirmou que os “abusos de autoridade” de Moro na condução da Lava Jato e suas “combinações nefastas e ilegais” com o MPF (Ministério Público Federal) e o Coaf levaram à anulação dos processos que resultaram na condenação e prisão do petista.

Moro é acusado de ter atuado de forma parcial na condução da operação. Mensagens reveladas pela Vaza Jato em 2019 mostraram que o então magistrado colaborava de maneira indevida com o MPF. Por esse motivo, o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou Moro como suspeito para julgar os processos.

Flávio acrescentou que Moro não se contentava com a “posição subalterna” de ministro e que, por isso, deixou o governo do pai. Disse ainda que o ex-juiz agiu de forma “rasteira e traiçoeira” ao tentar atingir a imagem de Bolsonaro.

Disputa pelo governo do Paraná

Natural de Maringá, terceira maior cidade do Paraná, Moro concorrerá contra um nome indicado por Ratinho Jr. (PSD), atual governador do estado.

Ratinho pretendia disputar a Presidência pelo partido, mas desistiu. Como mostrou a CNN, um dos motivos para o governador sair da corrida presidencial foi justamente o cenário político envolvendo Moro.

Até o momento, o senador lidera as pesquisas para o governo estadual. Ratinho pretende agora terminar o seu mandato e construir uma coalização que fortaleça o seu grupo político no estado, com o objetivo de conter o avanço do candidato do PL.

Com uma baixa taxa de intenções de voto nas pesquisas eleitorais, Ratinho poderia perder controle da sua base política ao se afastar do governo e se dedicar à disputa presidencial, o que abriria espaço para Moro.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu