Mesmo com a recente volatilidade nos mercados devido à guerra no Irã, os preços internacionais do algodão mostram reação limitada e fazem com que o Brasil fique de olho na colheita que avança no Centro-Oeste para decidir entre as exportações ou o mercado interno, cada vez mais exigente de fibras de alta qualidade, mas com aperto financeiro que a indústria têxtil carrega.
Um relatório internacional da StoneX, mostra que mercado global de algodão entrou em 2026 marcado por um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda, mas que Brasil pode ser um dos players decisivos na solidez dos negócios internacionais.
Apesar da queda nas taxas de juros e da melhora nas relações comerciais internacionais, as cotações da fibra não reagiram. Segundo análise da StoneX, sucessivas revisões para cima na produção global continuam ditando o comportamento do mercado e reforçando a percepção de excesso de oferta.
Esse cenário tem levado a uma reprecificação do algodão, com o mercado deixando de responder a fatores cíclicos — como política monetária e comércio — e passando a refletir fundamentos mais estruturais, especialmente o crescimento consistente da produção.
Um dos principais vetores dessa dinâmica é o Brasil. De acordo com Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX, a expansão da área plantada e a competitividade das exportações brasileiras vêm redesenhando os fluxos globais da commodity.
Na safra 2025/26, o Brasil colheu cerca de 4,15 milhões de toneladas de algodão, impulsionado por uma área recorde e condições climáticas favoráveis. No comércio exterior, o país embarcou perto de 3 milhões de toneladas, consolidando-se como o maior exportador mundial da fibra.
O momento é de arrancada da colheita para o ciclo 2026/27 – cuja projeção da Safras & Mercado é de queda de 11,5% em relação à safra anterior, para 3,74 milhões de toneladas. Mesmo assim, a dinâmica do algodão segue favorável para o produtor brasileiro e segue fortalecendo o ritmo de oferta principalmente na América do Sul.
De acordo com a StoneX, a oferta e a demanda de 2026 devem ser suficientes para manter os preços sob pressão, sinalizando que o mercado deve seguir operando sob um novo patamar estrutural nos próximos ciclos.
No mês de março, os preços dos contratos com vencimento para maio estão oscilando na casa dos 67 centavos de dólar por libra-peso. O sentimento dos compradores permaneceu cauteloso, com importadores adotando uma postura de espera diante da incerteza sobre a direção dos preços, reforça a consultoria americana Trading Economics em seu boletim diário sobre a soft commodity.
O quadro se soma aos episódios diários da guerra no Oriente Médio, pois “os riscos geopolíticos e os temores associados de interrupções nos embarques, além da elevação dos custos de energia e transporte, aumentaram a cautela no mercado”, acrescenta a consultoria.
Ao mesmo tempo, os estoques certificados pela ICE caíram para 115.640 fardos até 18 de março, oferecendo algum suporte às cotações diante de um aperto pontual na oferta disponível.
Relação com o petróleo
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Fonte : CNN