O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu novamente para que o ex-goleiro Bruno Fernandes cumpra pena em regime fechado. Após perder a liberdade condicional, o ex-goleiro passou a ser considerado foragido.
O pedido do MP, confirmado à CNN Brasil nesta sexta-feira (27), também inclui a instauração de um procedimento disciplinar para apurar as ações de Bruno que teria descumprido condições impostas pela Justiça durante o regime semiaberto — progressão que antecedeu a concessão de sua liberdade condicional, revogada recentemente.
De acordo com o MP, entre as condições determinadas e descumpridas por Bruno durante o regime semiaberto, destacam-se:
- Não manteve o endereço atualizado perante à Justiça durante três anos;
- Frequentou lugares em horários não autorizados, como jogo no Maracanã no dia 4 de fevereiro, cuja presença ao estádio foi registrada por ele em uma rede social;
- Viajou para outros estados do país sem autorização judicial, como a presença em estádio após jogo em Minas Gerais.
Segundo a Justiça, a liberdade do ex-goleiro foi revogada após o ex-goleiro também descumprir uma das condições impostas ao deixar o estado do Rio de Janeiro sem autorização da Justiça.
Ainda nesta semana, o juiz da VEP (Vara de Execuções Penais) do Rio de Janeiro negou os embargos de declaração opostos pela defesa do ex-goleiro para que ele não retornasse ao sistema prisional. Com a decisão, ele ainda permanece foragido.
Mandado de prisão
O mandado de prisão foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Estado no dia 5 deste mês, após o juiz entender que Bruno descumpriu uma das condições impostas para a manutenção do benefício de liberdade condicional (última etapa do cumprimento da pena privativa de liberdade, ou seja, o regime “semiaberto”).
De acordo com o processo, o ex-jogador deixou o estado do Rio de Janeiro sem autorização judicial. Ele viajou para o Acre no dia 15 de fevereiro, apenas quatro dias depois de ter obtido o livramento condicional. A decisão que concedeu o benefício determinava que ele não poderia se ausentar do estado sem autorização prévia do Juízo da Execução Penal.
A viagem ocorreu durante o retorno do ex-goleiro ao futebol profissional. No dia 15 de fevereiro, Bruno chegou ao Acre para reforçar o Vasco-AC. Três dias depois, ele foi regularizado no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Na decisão que revogou o benefício, o juiz apontou que o deslocamento sem autorização representou descumprimento das condições estabelecidas para o livramento condicional. O mandado de prisão expedido tem validade de 16 anos.
No último dia 13 de março, a Polícia Civil incluiu a foto dele no cartaz de procurados.
Relembre o caso que levou a prisão do goleiro
Um dos casos que mais chocou o país foi a morte de Eliza Samudio, atriz e modelo paranaense, que desapareceu em junho de 2010.
As autoridades a consideraram morta após suspeitos assumirem o assassinato. No entanto, seu corpo nunca foi encontrado, mesmo 15 anos do crime.
Eliza e Bruno mantinham um relacionamento extraconjugal. Na época, ele era goleiro titular do Flamengo e estava no auge da carreira. A atriz engravidou do goleiro e tornou pública a gestação e a paternidade de Bruno, em 2009. O fato repercutiu, o que gerou a negativa do atleta em assumir a criança.
O filho nasceu em fevereiro de 2010 e meses depois Eliza desapareceu.
Após diligências da polícia, foram encontradas peças de roupas e fraldas no sítio de Bruno, em Minas Gerais. O filho de Eliza foi encontrado na periferia de Belo Horizonte.
A história amplamente divulgada, apresenta o crime como uma trama planejada pelo ex-goleiro. Ele foi condenado a 20 anos de prisão pelo crime, embora nunca tenha confessado que premeditou a morte de Eliza Samudio.
*Com informações de Camille Barbosa e Beto Souza
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Fonte : CNN