O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda avalia se vetará o projeto aprovado pelo Congresso Nacional, que aumenta salários e cria mecanismos que podem ultrapassar o teto constitucional para servidores, conhecidos como “penduricalhos”.
O Palácio do Planalto deve medir a reação da população após a votação. A preocupação é com o impacto da aprovação da matéria na imagem do governo diante do apoio do PT e de partidos da esquerda ao projeto.
A decisão sobre o veto ou sanção de Lula é aguardada nos próximos dias e pode ter efeito sobre a relação entre o Executivo e o Legislativo.
Parlamentares da base de Lula, no Congresso, acreditam que a tendência, hoje, é pela sanção do projeto, especialmente porque já havia um acordo firmado com líderes da base e a cúpula da Câmara, antes da votação.
O cálculo do governo envolve ainda pesar o momento da relação com o Congresso. O ano de 2026 começou com um alinhamento entre o Planalto e as duas casas e vetar o texto seria abrir um flanco de disputa com o legislativo exatamente no momento em que há uma tentativa de convergência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líderes da base e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
No Congresso, o argumento é de que os reajustes estão dentro do orçamento, não vão aumentar custos e acompanham um movimento de aumentos para categorias de outros poderes.
Em votação expressa, Câmara e Senado aprovaram, nesta terça-feira (3), a criação de ganhos adicionais para servidores do Legislativo e do Judiciário, inclusive com a previsão de “licenças compensatórias” que, na prática, podem resultar em remunerações acima do teto constitucional, fixado em cerca de R$ 46,3 mil mensais.
Líderes da base governista afirmam que a atenção estava voltada para garantir apoio a outras pautas prioritárias, como a MP do Gás. Esses parlamentares da base avaliam que não haveria votos suficientes para barrar o projeto.
A aprovação, porém, gerou repercussão negativa nas redes sociais, o que pode pressionar o governo a reconsiderar o acordo e vetar pontos que beneficiam servidores já bem remunerados.
Apesar do direcionamento dos partidos, alguns paramentares foram contra a proposta, a exemplo do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP). Ele critica que a proposta beneficia servidores que já estão entre os mais bem remunerados do funcionalismo e abre brechas para remunerações acima do teto constitucional, com impacto bilionário no orçamento.
O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa também foi crítico ao resultado, especialmente em pontos que favorecem penduricalhos e benefícios que, segundo ele, contrariam a lógica de restrição de privilégios no serviço público.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) argumenta que o Legislativo tem dado atenção excessiva a interesses próprios em detrimento de temas de maior impacto social.
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Fonte : CNN