O julgamento dos acusados de matar a cantora gospel Sara Mariano, morta em outubro de 2023, foi retomado nesta terça-feira (24) em Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, após uma série de adiamentos marcados por impasses entre defesa e Justiça.
Na primeira tentativa de realização do júri, em 25 de novembro do ano passado, os advogados dos três acusados abandonaram o plenário, o que levou à suspensão da sessão. À época, a Justiça da Bahia classificou a conduta como ilegal e remarcou o julgamento.
Após isso, a sessão foi reagendada para fevereiro de 2026 e, posteriormente, remarcada de novo para o dia 3 de março, em razão de ajustes na agenda do fórum. Contudo, a data voltou a ser modificada por determinação judicial.
De acordo com o TJBA (Tribunal de Justiça da Bahia), todas as alterações seguiram os procedimentos legais até a retomada nesta terça-feira. “Cabe ressaltar que a segurança do fórum foi reforçada para garantir a integridade dos réus”, destacou o TJ em nota à imprensa.
Respondem ao processo o viúvo da vítima, Ederlan Santos Mariano, apontado como mentor do crime, além de Weslen Pablo Correia de Jesus e Victor Gabriel Oliveira Neves. Eles são acusados de feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa. A reportagem procurou os advogados dos réus e aguarda retorno.
O júri que acabou suspenso fazia parte do mutirão do Tribunal do Júri na Bahia, que concentrou mais de 300 sessões plenárias ao longo de novembro do ano passado. A audiência, no entanto, foi interrompida após a defesa alegar falta de estrutura e de segurança no local.
Em nota, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) afirmou que o abandono da sessão foi uma decisão unilateral dos advogados e que o fórum contava com policiamento e condições adequadas para a realização do julgamento. O tribunal também informou que encaminhou a conduta dos defensores para análise da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Já a defesa sustenta que o ambiente não oferecia garantias mínimas para a condução do júri. Em vídeo publicado nas redes sociais, o advogado Otto Vinicius Oliveira Lopes, que representa Ederlan Mariano, afirmou que não havia isolamento entre o público e os participantes da sessão, nem estrutura suficiente para assegurar a integridade de jurados, promotores e réus.
Julgamento de acusados de assassinar cantora gospel na Bahia é adiado
Segundo ele, a falta de separação física permitiu manifestações da plateia, com xingamentos e ameaças direcionadas aos acusados, o que, na avaliação da defesa, comprometeria a imparcialidade do julgamento.
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Fonte : CNN