O Irã seguirá se opondo à produção de armas nucleares, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em entrevista à Al Jazeera, divulgada pela mídia iraniana nesta quarta-feira (18).
Ele ressaltou, porém, que o novo líder supremo do país ainda não se manifestou publicamente sobre o tema.
O ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que morreu no início da guerra entre EUA, Israel e Irã, havia proibido o desenvolvimento de armas de destruição em massa por meio de uma fatwa, ou decreto religioso, emitida nos anos 2000.
Países ocidentais, incluindo Estados Unidos e Israel, acusam o Irã há anos de buscar armas nucleares, enquanto as autoridades iranianas afirmam que seu programa é exclusivamente civil.
Araqchi lembrou que fatwas dependem do jurista que as emite e disse não poder avaliar ainda as opiniões políticas ou jurídicas de Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã.
Novo protocolo para o Estreito de Ormuz
O chanceler iraniano também afirmou que, após o fim da guerra, os países vizinhos do Golfo deveriam criar um novo protocolo para o Estreito de Ormuz, garantindo a passagem segura de navios sob condições que respeitem os interesses do Irã e da região.
O país fechou essa importante rota energética, por onde passa um quinto do petróleo e gás natural global, afirmando que “não permitirá nem um litro de petróleo” chegar aos EUA, Israel e seus aliados.
Na terça-feira (17), o presidente do Parlamento iraniano disse que a situação no estreito “não voltará ao que era antes da guerra”.
Os EUA tentam organizar uma coalizão naval para escoltar navios na região, mas a maioria dos aliados da OTAN afirmou não querer se envolver em operações militares contra o Irã.
A França, membro da aliança, declarou que só participaria de uma coalizão internacional conjunta após um cessar-fogo e negociações com Teerã.
Araqchi afirmou ainda que o fim do conflito só seria possível se a guerra terminasse de forma permanente em toda a região e o Irã recebesse compensações pelos danos sofridos.

Ataques próximos a áreas urbanas atribuídos à relocação de forças dos EUA
Questionado sobre ataques iranianos que atingiram não apenas bases militares americanas, mas também áreas residenciais e comerciais, Araqchi disse que isso ocorreu porque tropas dos EUA se mudaram para zonas urbanas.
“Onde havia concentração de forças americanas ou instalações pertencentes a eles, foram alvo. É possível que alguns desses locais ficassem próximos de áreas urbanas”, explicou o chanceler.
Ele reconheceu que países vizinhos estão “incomodados e suas populações foram afetadas ou prejudicadas” pelos ataques iranianos, mas afirmou que a responsabilidade é inteiramente dos EUA, por ter iniciado a guerra em 28 de fevereiro.
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Fonte : CNN