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O Inter revisou para baixo as expectativas para dólar e inflação em 2026, mas reforçou um cenário de incertezas pelo risco fiscal, segundo relatório publicado nesta quarta-feira (25).

A previsão para a moeda norte-americana passou para R$ 5,40, ante estimativa de R$ 5,50. O enfraquecimento do dólar deve tirar pressão do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que deve encerrar o ano em 3,8%, segundo a instituição.

“Caso o câmbio estabilize no patamar mais baixo, mais próximo de R$ 5,20 nos próximos meses, podemos ter nova revisão de baixa no IPCA de até 0,10 p.p. Por outro lado, a inflação de serviços permanece elevada e deve ter redução mais gradual, com o mercado de trabalho ainda aquecido e taxa de desemprego na mínima histórica”, cita o relatório.

 

O Inter também apontou para corte e 0,5 ponto nos juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) em março, com redução acumulada de 3 pontos até o fim do ano, reduzindo a Selic a 12%.

Atualmente, a taxa básica está em 15%, o maior patamar em duas décadas.

“O cenário externo mais favorável com a recente apreciação do câmbio também contribui para uma maior confiança do mercado na consolidação de uma expectativa mais
longa de cortes”, apontou o Inter.

A instituição prevê tendência de desaceleração para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2025 e deste ano, com a economia pressionada pelo patamar dos juros em dois dígitos.

A expectativa é que o último trimestre de 2025 mostre variação de 0,3%, enquanto no ano a economia deve apresentar alta de 2,3% — a menor taxa de crescimento desde 2020.

O resultado final do PIB será publicado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na próxima terça-feira (3).

“Os dados dos setores de serviços, incluindo o varejo de dezembro, confirmam a tendência de desaceleração do consumo das famílias, que segue um cenário de menor oferta de crédito.”

A tendência deve se manter neste ano, diz o relatório. “Novos impulsos fiscais e a redução na taxa de juros podem contribuir para uma retomada mais lenta do crescimento no segundo semestre e esperamos que o PIB tenha alta de 1,8% em 2026.”

O relatório do Inter reforçou o desafio com o equilíbrio das contas públicas, com o cenário transpassando 2026. A instituição manteve a projeção de déficit primário, deixando fora da meta precatórios e outros gastos, em 0,7% em 2026.

“Um novo risco para o resultado fiscal de 2026 está na possível frustração de crescimento da receita. Apesar das novas medidas de impostos aprovadas, o câmbio mais baixo, a inflação em queda e a atividade em desaceleração devem resultar em arrecadação mais fraca que o observado nos últimos anos. Além disso, a alta real dos gastos já está contratada e deve ficar próximo de 5% acima da inflação em 2026.”

Para o Inter, o cenário pode se expandir para 2027, “caso não haja medidas efetivas de controle do crescimento das despesas obrigatórias”.

Entre as medidas, estão revisões nas políticas de aumento real do salário mínimo e vinculação de gastos a partir do novo governo.

“A trajetória de crescimento da dívida segue em ritmo preocupante com as despesas de juros no atual patamar de quase 8% do PIB e levanta a urgência de novas regras fiscais com a dívida PIB avançando para fechar 2026 em 83% do PIB, o que significa um aumento de 10 p.p em 4 anos”, aponta o texto.

Corte de juros nos EUA

No cenário externo, o Inter prevê pausa de corte dos juros pelo Fed (Federal Reserve), com a retomada do ciclo em junho. Em janeiro, a autoridade monetária dos EUA manteve inalterado o intervalo da taxa referencial de juros entre 3,5% e 3,75%, após três cortes seguidos.

Até o fim do ano, o Inter prevê que a taxa fique entre 3% e 3,25%.

“A taxa de juros parece suficientemente próxima da taxa neutra e a economia não dá sinais de desaceleração acentuada, enquanto a convergência da inflação, mesmo que viesada pelo shutdown, permite o Fed esperar mais tempo até tomar uma decisão.”

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Fonte : CNN

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