wp-header-logo.png

A escalada da guerra envolvendo o Irã tem gerado tensão no mercado internacional de proteínas e acende um sinal de alerta para o setor brasileiro de carnes, especialmente para a avicultura.

O conflito tem gerado forte volatilidade nos preços do petróleo e pode elevar custos importantes da cadeia produtiva da avicultura, como energia, transporte e insumos utilizados na produção de ração animal.

Durante o 12º Simpósio da Nutripura, realizado nos dias 20 e 21 de março em Cuiabá (MT), o economista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, destacou que conflitos geopolíticos no Oriente Médio historicamente provocam oscilações relevantes nos mercados de energia e transporte, o que acaba repercutindo em diversas cadeias do agronegócio.

“A guerra no Oriente Médio normalmente gera uma reação imediata no preço do petróleo e no custo dos fretes internacionais. Isso pode elevar o custo de produção e também afetar a logística global de alimentos”, afirmou o economista durante o evento.

Além dos impactos sobre os custos, o conflito também gera preocupação em relação ao comércio internacional. O Oriente Médio é um mercado relevante para as exportações brasileiras de proteína animal.

No caso da carne de frango, o mercado do Oriente Médio também tem papel estratégico para o Brasil, especialmente em países com grande consumo de produtos halal. “Eventuais tensões logísticas, dificuldades financeiras de importadores ou interrupções nas rotas marítimas podem gerar atrasos ou redirecionamento de cargas para outros mercados”, reportou Mendonça de Barros.

Diante desse cenário, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) solicitou ao governo federal medidas de apoio para mitigar possíveis impactos financeiros nas exportações. A entidade enviou um pedido ao Ministério da Fazenda solicitando mecanismos de apoio ao capital de giro das empresas exportadoras.

“Entendemos ser oportuno avaliar a adoção de instrumentos extraordinários de apoio financeiro às exportações, voltados especificamente à mitigação de impactos logísticos temporários decorrentes de eventos geopolíticos excepcionais”, afirmou la entidade em comunicado.

Apesar das incertezas, a projeção da MB Agro aponta que o Brasil segue competitivo no mercado global de carnes. Caso haja interrupções comerciais em determinados mercados, parte das exportações pode ser redirecionada para outros países importadores.

Para Mendonça de Barros, no entanto, os efeitos mais relevantes dependerão da duração do conflito. Segundo ele, se a guerra se prolongar por um período mais longo, os impactos tendem a se intensificar no comércio e nos custos de produção.

“Se esse conflito se estender por mais de dois meses, os efeitos sobre energia, fretes e logística global podem se tornar mais significativos, o que inevitavelmente acaba pressionando também o setor de carnes”, concluiu o economista.


source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu