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Embora a maior parte dos fertilizantes utilizados nas fazendas dos Estados Unidos seja produzida na América do Norte, a alta do gás natural — principal insumo da indústria — deve encarecer também o produto doméstico.

O preço da ureia importada, uma forma cristalizada de nitrogênio essencial para a agricultura global, subiu quase um terço desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, segundo dados da FactSet.

Yeley afirmou à CNN que, desde o início da guerra, apenas um fornecedor apresentou cotação para fertilizantes nitrogenados; normalmente, ele trabalha com vários distribuidores em diferentes regiões. A pressão sobre os produtores pode se refletir em preços mais altos nos supermercados, um dos principais focos de preocupação para milhões de americanos nos últimos meses.

Mesmo antes do conflito, economistas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) já projetavam que os preços dos alimentos subiriam mais neste ano do que em 2024 e 2025.

A crise no campo é tão intensa que, em alguns casos, produtores estão operando no prejuízo ao cultivar milho, aveia, arroz e outros alimentos básicos.

Segundo Yeley, a combinação de receitas em queda e custos crescentes tem levado agricultores a recorrer ao endividamento para manter a atividade — movimento que levou a dívida rural a um recorde em 2025. Mesmo com a renda menor no campo, os consumidores continuam pagando mais caro pelos alimentos, tendência que muitos economistas atribuem à estrutura da cadeia de abastecimento nos Estados Unidos.

Com a guerra no Irã, a expectativa é de novos aumentos nos preços de hortifrutis, carnes e laticínios, pressionados principalmente pela alta dos combustíveis.

“Quando os agricultores enfrentam falta de insumos ou aumentos expressivos de preços, os impactos se propagam por toda a cadeia de alimentos”, afirmou Zippy Duvall, presidente da Federação Americana de Agricultura, em coletiva realizada há duas semanas.

O cenário atual

A guerra com o Irã se soma a um ambiente já marcado por incertezas financeiras para os produtores americanos.

Mesmo antes do conflito, o custo dos fertilizantes nitrogenados já havia subido 22% entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, segundo o Bureau of Labor Statistics.

“Já havia sinais claros de que os preços dos fertilizantes subiriam com a chegada da primavera”, disse Josh Boxell, produtor de milho e soja ao norte de Indianápolis.

Ao mesmo tempo, a rentabilidade no campo segue pressionada. A guerra comercial entre Estados Unidos e China reduziu o acesso a um dos principais mercados para os agricultores americanos, derrubando o valor das commodities.

Josh Manske, produtor no sudoeste de Iowa, destacou a forte volatilidade nos preços após meses de negociações comerciais e afirmou que o mercado “não é sustentável” no momento.

Além da queda nos preços das lavouras, os custos de produção seguem em alta. Máquinas agrícolas ficaram mais caras nos últimos anos, e o diesel — essencial para operar os equipamentos — também encareceu com a guerra no Irã.

Para Chad Hart, especialista em mercado agrícola e professor da Universidade Estadual de Iowa, embora a economia americana como um todo esteja resiliente, “o setor agrícola vive uma recessão”. Ele cita os preços baixos das commodities nos últimos três anos e o aumento das falências rurais após a pandemia.

“O produtor não vê aumento no valor do que vende, mas todo mundo percebe os preços mais altos no supermercado”, disse Boxell.

Futuro incerto

Por enquanto, muitos agricultores dependem de ajuda federal para enfrentar o cenário adverso. Mais de US$ 7 bilhões em assistência governamental já foram distribuídos para ajudar produtores a lidar com a guerra comercial e os “custos elevados de insumos”, informou o USDA em comunicado à CNN.

Os pagamentos começaram em 28 de fevereiro, no mesmo dia em que teve início a guerra com o Irã.

“A brincadeira é que o dinheiro mal chegou à fazenda e já saiu direto para pagar o fornecedor de fertilizantes”, afirmou Aaron Lehman, produtor de grãos e presidente da União dos Agricultores de Iowa.

Boxell afirmou que a ajuda federal funciona como uma “rede de proteção” para ele e outros agricultores. Ainda assim, ressalta que o apoio é limitado: “Não vai resolver o problema do prejuízo líquido. Apenas ajuda a amenizar um pouco as perdas.”

Questionada sobre a alta dos fertilizantes, a Casa Branca informou que pretende autorizar a importação de produtos vindos da Venezuela. A medida entrou em vigor neste mês, mas ainda há incertezas sobre a capacidade de produção do país e quanto desse volume efetivamente chegará aos Estados Unidos.

A maioria dos produtores já adquiriu fertilizantes para a próxima safra, mas as disrupções no mercado global podem se estender por um período mais longo.

“Quando tivermos que precificar fertilizantes novamente, como isso vai impactar os contratos para a safra de 2027?”, questionou Manske.

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Fonte : CNN

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