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A guerra no Oriente Médio tem gerado preocupações sobre possíveis impactos econômicos no Brasil, principalmente relacionados à elevação dos preços do petróleo e gás.

Segundo Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, a principal preocupação no momento é o risco inflacionário que pode surgir caso os preços permaneçam elevados por um período prolongado.

“Acho que tudo vai depender do tempo que a gente vai permanecer com esse cenário de maior aversão a risco. Nesse primeiro momento, acho que a principal preocupação é a alta dos preços, a alta da cotação do petróleo e gás, você pode ter um risco inflacionário, pelo menos temporário”, afirmou Vitória ao CNN Money.

A economista ressalta, no entanto, que o cenário atual é diferente do observado em 2022, quando houve o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Naquela época, a disparada do petróleo foi mais significativa e o Brasil vivia um momento de expansão econômica pós-pandemia, com forte estímulo fiscal e monetário. Atualmente, o consumo doméstico está enfraquecido, o que tende a conter a propagação dos aumentos de preços.

Câmbio ainda em patamar favorável

Mesmo com as tensões geopolíticas, Rafaela Vitória avalia que o câmbio ainda se encontra em um patamar relativamente favorável para a economia brasileira.

“O câmbio a R$ 5,30, ainda é um câmbio, inclusive, abaixo do que a gente projeta para o final do ano, que é R$ 5,40”, explicou.

A economista alerta, porém, que a continuidade do conflito pode determinar o comportamento futuro do câmbio.

Em momentos de maior aversão ao risco, investidores tendem a reverter o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil, o que poderia pressionar ainda mais a moeda brasileira.

Para que haja uma pressão inflacionária mais significativa, seria necessário um câmbio em patamares mais elevados, entre R$ 5,50 e R$ 5,60.

Outro ponto destacado é que o cenário de incertezas globais tende a reduzir a atividade econômica mundial de maneira geral.

“A economia tende a crescer menos esse ano por conta dessas incertezas. A gente pode ter alguma interrupção em alguns fluxos comerciais e esse crescimento menor da economia também pode ajudar numa pressão inflacionária um pouco mais baixa”, ressaltou Vitória.

Desaceleração econômica no Brasil

Comentando sobre os dados do PIB brasileiro divulgados recentemente, Rafaela Vitória destacou a tendência clara de desaceleração da economia.

O período de outubro a dezembro de 2025 mostrou estagnação, com um ritmo de crescimento anual próximo de 1,8%, abaixo do acumulado do ano (2,3%).

Para 2026, a economista não vê perspectiva de reaceleração no curto prazo, considerando a atual situação de alavancagem das famílias e a desaceleração do crédito.

“Isso só vai acontecer após o início da flexibilização da política monetária, e que ainda tem um efeito defasado na economia”, concluiu.

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Fonte : CNN

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