O mercado financeiro brasileiro revisou suas projeções para a taxa básica de juros diante do cenário internacional adverso, marcado pela alta do preço do petróleo e pela escalada do conflito no Oriente Médio.
As apostas de corte mais acentuado da Selic esfriaram nas últimas semanas, e já cresce entre analistas a possibilidade de o Banco Central manter a taxa nos atuais 15% ao ano ou realizar apenas uma redução mínima.
Rafael Furlanetti, apresentador da CNN Brasil, destaca que há poucas semanas o mercado precificava 70% de chance de um corte de 0,5 ponto percentual na reunião de março do Copom, levando a Selic para 14,5%. No entanto, o cenário mudou drasticamente.
“É muito difícil a gente ver o Banco Central ser mais agressivo nesse quadro de juros”, avalia.
Dados econômicos domésticos mais fortes que o esperado, como os números do varejo e do emprego, somados ao prolongamento do conflito no Oriente Médio, criaram um ambiente de cautela.
Segundo Furlanetti, a probabilidade de manutenção da taxa de juros, que era próxima de zero, já subiu para 40%, enquanto a chance de corte de 0,25 ponto está em torno de 50%. O cenário base anterior, de queda de 0,5 ponto, agora representa apenas 10% das apostas.
Impacto do petróleo na inflação
O preço do petróleo acima de US$ 100 é um dos principais fatores de preocupação para a política monetária brasileira. Enquanto persistirem as tensões no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, importante rota de escoamento da commodity, a pressão inflacionária deve permanecer.
A revisão nas projeções para a Selic tem consequências diretas para empresários e consumidores.
No início do ano, havia expectativa de que a taxa básica pudesse chegar a 12,5% ou 12,75% até dezembro. Agora, o mercado trabalha com um cenário bem menos otimista.
“É bem possível que a gente chegue no final do ano, se esse cenário se mantiver, com juros a 14%, 13,5%, observa Furlanetti.
Apesar do cenário desafiador, o Brasil mantém certa atratividade entre os países emergentes por ser exportador de petróleo. Dados recentes mostram que o fluxo de capital estrangeiro para o país continua positivo, com entrada de cerca de R$ 2 bilhões na semana passada e saldo positivo de R$ 42 bilhões no ano.
No entanto, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, pode haver uma migração de recursos para ativos considerados mais seguros, como títulos do governo americano e ouro.
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Fonte : CNN