A Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) classifica que a escalada do conflito no Oriente Médio pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro por meio de três canais principais: combustíveis, fertilizantes e exportações para o Oriente Médio.
A região do Golfo Pérsico concentra um dos principais gargalos logísticos do mundo, o Estreito de Ormuz. Por ali passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia — aproximadamente 20% do consumo mundial — além de cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito (GNL).
Após o ataque de ontem, autoridades americanas afirmaram que a operação teve caráter “limitado e proporcional”, enquanto Teerã prometeu responder “no momento e local apropriados”. Analistas ouvidos pela CNN Brasil estacam que, even sem bloqueio efetivo da rota, a simples elevação do risco geopolítico já tende a pressionar os preços do petróleo e os custos de seguro marítimo.
Para o Brasil, o impacto é direto: alta do petróleo significa aumento no diesel e na gasolina, com reflexos imediatos no custo do frete rodoviário — fundamental para o escoamento da safra.
Logística global sob tensão
Além de Ormuz, a região se conecta a outros corredores estratégicos, como o eixo Bab el-Mandeb/Mar Vermelho/Canal de Suez. Em 2024, ataques a embarcações no Mar Vermelho já haviam provocado desvios de rotas pelo Cabo da Boa Esperança, elevando prazos e custos logísticos globais.
Com a nova ofensiva dos EUA, especialistas apontam que armadores e seguradoras podem ampliar prêmios de risco para navegação na região, o que tende a pressionar ainda mais os fretes internacionais.
Irã é destino relevante do agro brasileiro
Em 2025, o Irã foi o segundo principal destino do agronegócio brasileiro em volume, com 11,5 milhões de toneladas embarcadas, segundo dados compilados pela Farsul com base no ComexStat.
Em valor, o país foi o 15º maior cliente do setor, com US$ 2,9 bilhões em compras. Os principais produtos exportados foram:
-
Milho (US$ 1,98 bilhão; 9 milhões de toneladas)
-
Soja em grãos (US$ 563 milhões; 1,3 milhão de toneladas)
-
Açúcar (US$ 189 milhões)
-
Farelo de soja (US$ 182 milhões)
Uma eventual ampliação das sanções ou dificuldades financeiras decorrentes do conflito pode afetar pagamentos, contratos e fluxo comercial com o país.
Outro ponto sensível é a importação de fertilizantes, especialmente ureia nitrogenada. O Brasil importa cerca de US$ 3 bilhões do produto por ano (7,7 milhões de toneladas). Desse total, o Irã responde por aproximadamente 2,2% em valor e 2,4% em volume.
Embora a participação direta seja limitada, a Farsul alerta que uma disrupção regional pode provocar reprecificação global, já que o Oriente Médio é um grande polo exportador de nitrogenados e fortemente dependente do gás natural — insumo cujo preço costuma reagir a choques geopolíticos.
No documento, a Farsul recomenda monitoramento constante de indicadores-chave como petróleo, câmbio, fretes marítimos e cotações internacionais de fertilizantes. A entidade orienta que decisões sobre cronograma de compras e exposição cambial sejam reavaliadas caso o conflito avance.
Segundo analistas ouvidos pela CNN, o mercado global opera sob elevada volatilidade após o ataque de ontem, com investidores atentos a possíveis retaliações do Irã e a sinais de envolvimento mais amplo de atores regionais.
source
Fonte : CNN