O Real Madrid informou que Kylian Mbappé sofreu uma entorse no joelho esquerdo e iniciou tratamento conservador. Já o Al Nassr confirmou uma lesão muscular na parte posterior da coxa de Cristiano Ronaldo. As duas situações ocorrem a pouco mais de três meses da Copa do Mundo de 2026.
Segundo o ortopedista e traumatologista do esporte Bruno Canizares, os casos envolvem mecanismos diferentes de lesão e exigem protocolos específicos de recuperação.
O especialista explicou que o tempo de retorno depende mais da evolução clínica do que apenas do prazo estimado inicialmente.
O cenário clínico, segundo ele, será decisivo para definir se os atletas conseguirão chegar à Copa do Mundo em condições de jogo.
Lesão muscular de Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo sofreu uma lesão na musculatura posterior da coxa, conhecida como isquiotibiais. Esse grupo muscular atua principalmente na desaceleração da perna durante sprints e mudanças de direção.
“Considerando a lesão na parte posterior da coxa do Cristiano Ronaldo, essa lesão geralmente é da musculatura dos isquiotibiais, que é responsável pela desaceleração da perna no sprint e principalmente nas mudanças de direção”, explica Canizares.
O Al Nassr informou prazo de duas a quatro semanas para recuperação. De acordo com o médico, o tempo depende do grau da lesão, da extensão do edema muscular e da presença de hematoma na região afetada.
“E considerando o prazo de 2 a 4 semanas, essa lesão pode ir desde um estiramento até uma lesão parcial das fibras musculares”, afirmou.
A localização da lesão também influencia na recuperação. Quando ocorre próxima à inserção muscular ou na transição para o tendão, o processo costuma ser mais longo.
Além do exame clínico, atletas costumam passar por exames de imagem para avaliar a extensão da lesão. A ressonância magnética é um dos principais métodos para orientar o tratamento e o controle de carga durante a recuperação.
“Na prática, o retorno vai ser guiado muito mais pelos critérios clínicos e pela recuperação funcional do atleta”, explica o especialista.
Etapas da reabilitação
A recuperação de lesões musculares segue etapas progressivas. O início do tratamento tem foco no controle da dor e do inchaço, além da proteção da musculatura afetada.
Depois dessa fase inicial, começam exercícios de força e controle muscular. O processo costuma iniciar com exercícios isométricos e evoluir para atividades excêntricas, usadas com frequência em lesões da parte posterior da coxa.
Também são realizados trabalhos de equilíbrio muscular envolvendo glúteos, abdômen e região pélvica. O objetivo é restabelecer a estabilidade e reduzir o risco de novas lesões.
A fase seguinte envolve a reintrodução gradual da corrida. O atleta começa com trotes leves e avança progressivamente para acelerações, sprints e mudanças de direção.
“Quando ele volta a competir sem ter criado novamente a tolerância aos sprints, aumenta muito o risco de lesão”, afirma Canizares.
Risco de retorno antecipado
A proximidade de grandes competições pode gerar pressão para acelerar a volta aos gramados. Segundo o especialista, essa decisão exige cautela.
“A proximidade de uma competição grande, principalmente a Copa do Mundo, cria uma preocupação maior em relação ao retorno do atleta”, disse.
O médico explica que antecipar o retorno aumenta o risco de recidiva, que muitas vezes ocorre nas primeiras partidas após a volta.
“Quando o músculo que machucou não está reabilitado 100%, podem ocorrer compensações com outras musculaturas”, afirmou.
Por isso, a liberação depende de critérios clínicos e funcionais. Entre eles estão ausência de dor, amplitude completa de movimento e força muscular semelhante à da perna não lesionada.
Lesão no joelho de Mbappé
O caso de Mbappé envolve uma entorse no joelho esquerdo, com risco de comprometimento do ligamento cruzado posterior (LCP). Esse ligamento é responsável por evitar que a tíbia se desloque para trás em relação ao fêmur.
“Quando a gente fala das lesões por torção do joelho com risco para o LCP, estamos falando de uma lesão que compromete toda a estabilidade posterior do joelho”, explica Canizares.
Esse tipo de lesão pode ocorrer por hiperflexão, hiperextensão ou torção do joelho, mecanismo comum em disputas de bola no futebol.
Em alguns casos, a lesão pode vir acompanhada de danos ao menisco, cartilagem ou estruturas do canto póstero-lateral do joelho, o que influencia na estabilidade da articulação.
Tratamento conservador
O Real Madrid informou que Mbappé não passará por cirurgia e seguirá tratamento conservador. Segundo o especialista, essa abordagem pode ser adequada em casos de lesão parcial e sem grande instabilidade.
“Essa lesão do Mbappé é potencialmente grave e pode até tirá-lo da Copa do Mundo, mas o tratamento conservador é uma ótima opção se ele quiser tentar jogar o torneio”, afirmou.
De acordo com o médico, uma cirurgia neste momento reduziria as chances de retorno a tempo da competição.
“Se ele tiver uma boa resposta ao tratamento conservador, com fortalecimento e fisioterapia, existe uma grande chance de conseguir jogar a Copa do Mundo”, disse.
Critérios para retorno ao jogo
Assim como nas lesões musculares, o retorno de Mbappé dependerá de critérios clínicos e funcionais.
Entre os principais pontos avaliados estão ausência de dor e inchaço após treinos intensos, recuperação da força muscular e capacidade de realizar movimentos de alta intensidade, como aceleração, desaceleração e mudanças de direção.
Também são realizados testes de estabilidade do joelho e avaliações comparativas com a perna não lesionada.
Outro fator considerado é a confiança do próprio atleta no joelho durante os movimentos.
“O exame físico é essencial, principalmente os testes de estabilidade da região posterior do joelho”, explicou Canizares.
Monitoramento e carga de treino
Nos clubes de alto rendimento, o retorno ao jogo costuma ocorrer apenas após o atleta atingir carga de treino semelhante à exigida em uma partida.
Esse controle é feito com monitoramento por GPS, que mede distância percorrida, intensidade dos sprints e volume de esforço físico.
Segundo o especialista, a decisão final envolve equilíbrio entre risco médico e necessidade esportiva.
“Não é só a dor. Se força e controle ainda não estiverem 100%, é preciso avaliar o risco de utilizar o atleta e acabar provocando uma nova lesão”, afirmou.
A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre 11 de junho e 19 de julho.
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Fonte : CNN