A inflação na Zona do Euro desacelerou para 2% no mês passado. O ano foi tranquilo em termos de preços para o bloco monetário, mesmo com dúvidas persistentes sobre o impacto tardio das tarifas americanas, dos estímulos alemães e das tensões geopolíticas.
A Zona do Euro resistiu a turbulências inesperadas decorrentes de tensões comerciais, do desaparecimento de mercados de exportação e do dumping chinês no ano passado, enquanto o consumo interno ganhou impulso e as taxas de juros mais baixas ofereceram certo alívio.
Mas é improvável que essa resiliência dê lugar a um boom, especialmente porque pontos estruturais continuam freando o crescimento e os governos não demonstram interesse em compromissos políticos necessários para uma integração mais profunda.
Controle da inflação
Ainda assim, o controle da inflação é uma vitória clara para um bloco de 350 milhões de pessoas, já que o crescimento dos preços caiu para 2,0% no mês passado, em conformidade com as expectativas, e provavelmente se manterá próximo a esse nível nos próximos anos.
Um indicador mais importante sobre os preços subjacentes, que exclui os custos voláteis de alimentos e energia, também recuou para 2,3%, ante 2,4%, devido a uma leve desaceleração na inflação de serviços e bens industriais.
Os números confirmam a narrativa central dos economistas de que a Zona do Euro está entrando em 2026 em uma posição sólida, mesmo diante de uma incerteza excepcional.
As tarifas americanas ainda não se refletiram totalmente nos preços e as empresas ainda estão ajustando as cadeias de valor, o que sugere que o cenário pode levar boa parte de 2026 para se esclarecer.
Gastos alemães como solução
“Estamos conscientes de que o impacto dos níveis tarifários atuais ainda está se refletindo nos dados e que a política comercial dos EUA ainda pode mudar, por exemplo, devido a uma decisão da Suprema Corte sobre as tarifas do IEEPA ou devido ao descontentamento dos EUA com o acordo existente”, declarou o JPMorgan em nota aos clientes.
Outra questão é o estímulo fiscal alemão. O governo está aumentando os gastos com defesa e infraestrutura, e os economistas esperam um impulso no crescimento, mas o início desse aumento de gastos é lento e pode levar tempo até que se reflita nos números.
Por enquanto, a maior economia da Zona do Euro continua a evitar a recessão e o mercado de trabalho encontra-se na pior situação em anos.
O Deutsche Bank prevê um impulso fiscal equivalente a 1,4% do PIB este ano, provocando crescimento em toda a Europa.
“Os benefícios indiretos para o resto da Zona do Euro dependem da composição dos gastos fiscais alemães, do grau de capacidade ociosa na Alemanha e da confiança econômica fora da Alemanha”, afirmou em nota.
A energia mais barata também é um fator positivo, pois reduz custos e melhora os termos de troca do bloco, dada a enorme dependência da Europa das importações de combustíveis fósseis.
Ainda assim, o crescimento econômico geral pode desacelerar para cerca de 1,2% este ano, ante 1,4% em 2025, já que o bloco também enfrenta dificuldades em múltiplas frentes.
As tarifas continuarão a corroer as exportações, enquanto a China continuará excluindo a Europa de alguns dos principais mercados de exportação. A indústria continua à beira da recessão devido aos altos custos, mas a Zona do Euro permanece muito fragmentada para produzir na escala necessária para competir globalmente.
O BCE, que apoiou a economia nos últimos dois anos com uma série constante de cortes nas taxas de juros, também dificilmente realizará mais reduções.
A inflação está dentro da meta e as quedas abaixo de 2% provavelmente serão temporárias, deixando a perspectiva bastante equilibrada, especialmente no médio prazo.
É por isso que os mercados financeiros esperam taxas de juros inalteradas em cada uma das oito reuniões do BCE este ano e preveem algum aperto monetário no próximo ano.
“Esperamos que as taxas de juros permaneçam estáveis este ano e continuamos acreditando que um maior afrouxamento monetário geraria surpresas negativas significativas, seja no crescimento ou na inflação”, declarou Leo Barincou, da Oxford Economics.
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Fonte : CNN