O governador Cláudio Castro (PL) defendeu cautela diante das acusações que levaram à prisão preventiva do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União).
Em coletiva nesta sexta-feira (5), o chefe do Executivo fluminense afirmou que ainda não teve acesso ao processo e reforçou que o parlamentar deve ter garantido o direito constitucional à ampla defesa.
“Acusação é acusação. A gente já viu recentemente um secretário de estado ser preso e, 30 ou 60 dias depois, todo o processo ser cancelado pela Justiça. Tem que tomar muito cuidado nessas análises. É uma prisão preventiva. Acho que tem que esperar as investigações”, declarou Castro.
O governador disse também aguardar esclarecimentos ao longo do inquérito e reiterou que agentes públicos envolvidos com facções criminosas devem ser punidos.
“A gente espera que todas as coisas sejam explicadas, até porque se trata da maior facção criminosa do Brasil. E a gente torce para que nenhum agente público se envolva com eles. Quem fizer mal feito tem que ser punido exemplarmente, onde estiver”, ressaltou.
Bacellar permanece detido na Superintendência da PF (Polícia Federal), na zona portuária da capital, onde passou a segunda noite preso. A investigação apura o suposto vazamento de informações que teria beneficiado o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, acusado de ligação com o CV (Comando Vermelho).
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Alerj, responsável por analisar o caso antes de levar o parecer ao plenário, remarcou a reunião para a próxima segunda-feira (8), às 11h.
Caberá ao Legislativo fluminense decidir, por maioria simples, se mantém ou não a prisão preventiva do presidente da Casa. A CCJ também avalia se pode deliberar sobre o afastamento de Bacellar, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo a PF, trocas de mensagens entre Bacellar e TH Joias indicam que o presidente da Alerj sabia da operação conjunta das polícias Civil e Federal realizada em setembro deste ano e teria avisado o alvo para deixar o imóvel. TH saiu da residência um dia antes, mas acabou preso em outro endereço.
Na quarta-feira (3), Bacellar foi convocado à Superintendência da PF sob o pretexto de uma reunião institucional. Ao chegar, foi informado da prisão preventiva autorizada por Moraes.
A operação cumpriu também mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar na capital, na Região Serrana, no Norte Fluminense e no gabinete dele na Alerj. No carro de Bacellar, os agentes encontraram R$ 90 mil em espécie.
A defesa do deputado nega qualquer envolvimento com criminosos e afirma que não houve vazamento de informações. Já os advogados de TH alegam surpresa com a operação e dizem que a relação entre ele e Bacellar era exclusivamente profissional.
Castro rebate suspeitas sobre exoneração
A decisão do STF que autorizou a prisão de Bacellar também determinou o envio de informações sobre o SEI (Sistema Eletrônico de Informações) do governo do Rio e sobre o Diário Oficial.
O Supremo solicitou logs de criação, acesso e assinatura de documentos relacionados à exoneração de Rafael Picciani e à nomeação de Rodrigo Dantas Scorzelli para a Secretaria de Esporte e Lazer — atos que ocorreram em 3 de setembro, poucas horas após a prisão de TH Joias.
Para a Polícia Federal, a movimentação teria sido uma “célere manobra regimental” voltada a devolver imediatamente Picciani ao cargo, então ocupado por TH na condição de suplente.
Os investigadores avaliam que o objetivo seria criar uma “estratégia imediata de controle de danos”, evitando a associação da Alerj ao deputado investigado por ligação com o crime organizado.
A decisão destaca ainda que TH mantinha proximidade política com Bacellar e com o governador Cláudio Castro, aparecendo com frequência em eventos institucionais do Executivo e do Legislativo.
Questionado sobre o tema, o governador afirmou que a troca de Picciani já estava prevista e que não teve relação com operações policiais.
Ele citou publicações jornalísticas da época para explicar que a movimentação fez parte de um acordo político envolvendo suplentes e titulares em meio à votação de pautas econômicas do governo.
“Um processo não tem nada a ver com o outro. Já foi respondido ao Supremo Tribunal Federal. Houve ali uma disputa política sobre votações importantes. Essa narrativa de que houve manobra não procede”, disse Castro.
Na quinta-feira (4), o governo do Rio divulgou uma nota defendendo o devido processo legal e afirmando confiar no trabalho técnico do STF e da Polícia Federal.
“Acompanho os fatos, ocorridos no dia de ontem, com a devida atenção institucional. Rodrigo Bacellar é chefe do Poder Legislativo do Rio de Janeiro e é necessário garantir o direito ao devido processo legal. Mantenho a confiança na condução técnica e imparcial do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, responsáveis pela investigação. Todos os esclarecimentos solicitados pelo STF ao Executivo já foram respondidos, reafirmando nosso compromisso com a legalidade, a transparência e o pleno funcionamento das instituições”, diz o comunicado.
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Fonte : CNN