O advogado de acusação no caso Henry Borel, Cristiano Medina, afirmou nesta segunda-feira (23) que Monique Medeiros permitiu que o ex-vereador Dr. Jairinho torturasse o filho em pelo menos três ocasiões no mês de fevereiro de 2021.
Segundo o assistente na acusação dos réus, a mãe da vítima teria abdicado da proteção materna e manipulado familiares e funcionários para manter um projeto de vida luxuosa ao lado do então namorado.
Acusações e estratégia jurídica
O julgamento dos réus ocorre no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Medina destacou que Monique era sabedora do sofrimento da criança e agiu para evitar interferências externas.
O advogado também informou que pedirá a nomeação da Defensoria Pública caso a defesa abandone o plenário para forçar um adiamento.
A defesa de Monique Medeiros chegou ao tribunal reforçando a tese de que ela vivia um relacionamento abusivo e que é, também, uma vítima de Jairinho.
Já os advogados de Jairo Souza Santos Júnior alegaram falta de acesso a provas e pediram o adiamento da sessão para que o júri possa compreender melhor os laudos médicos.
Entenda o caso
Henry Borel, de 4 anos, morreu na madrugada de 8 de março de 2021 na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Inicialmente, o casal alegou que a criança havia sofrido um acidente doméstico ao cair da cama, mas o laudo do IML descartou a hipótese ao identificar 23 lesões pelo corpo.
A causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática por ação contundente.
Investigações da Polícia Civil, auxiliadas por tecnologia que recuperou mensagens apagadas, concluíram que o menino vivia uma rotina de torturas praticadas pelo padrasto com o conhecimento da mãe.
O caso motivou a criação da Lei Henry Borel, que tornou o homicídio contra menores de 14 anos um crime hediondo.
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Fonte : CNN