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O inquério policial que investiga a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que recebeu uma dose de adrenalina na veia, mostrou que a médica Juliana Brasil, responsável pela aplicação, realizava a venda de produtos de maquiagem através de um aplicativo de mensagens enquanto a criança passava mal.

Segundo a Polícia Civil do Amazonas, o celular de Juliana foi apreendido e, a partir das extrações das conversas, foram identificadas trocas de mensagens com teor comercial.

Para as autoridades, a conduta, alheia à situação crítica em que se encontrava a criança, evidencia desvio de foco e quebra de prioridade assistencial do caso.

“Tal concomitância, em cenário incompatível com urgência clínica, sugere desleixo, falta de empatia e fragilização de protocolos essenciais de segurança do paciente, na medida em que a condução do caso aparenta não ter recebido a atenção e a diligência exigidas. Esses elementos, quando analisados em conjunto com as demais falhas já descritas, contribuem para a piora do desfecho, culminando no óbito do menor”, afirma documento.

Veja a troca de mensagens:

A investigação apontou ainda que Juliana adulterou um vídeo das câmeras do hospital que foi apresentado por sua defesa. A produção desses materiais era realizada pela irmã da investigada e por uma outra médica.

A corporação informou ainda que o conteúdo adulterado “foi apresentado à época ao TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas) e à imprensa, sobre a administração de adrenalina, induzindo a interpretação indevida”.

De acordo com a polícia, foi apurada a oferta de pagamento pelo material, que já seria entregue adulterado. A ação da médica e das demais envolvidas pode configurar o crime de fraude processual.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Juliana Brasil e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Entenda a morte de Benício

Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu na madrugada do dia 23 de novembro de 2025, após receber uma dose intravenosa de adrenalina receitada pela médica Juliana Brasil e aplicado por Raiza.

Em entrevista à CNN Brasil em dezembro do ano passado, o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, detalhou os rumos da apuração e apontou falhas sistemáticas que teriam levado à morte da criança.

Segundo o delegado, a investigação já pode afirmar que houve um erro sistêmico envolvendo diversos profissionais de saúde do hospital. Entre as principais falhas identificadas está a prescrição incorreta de adrenalina por via endovenosa, feita pela médica Juliana Brasil Santos, quando o medicamento deveria ser administrado por nebulização.

De acordo com Marcelo, o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus à médica por entender que ela não teria errado na prescrição do medicamento. A defesa de Juliana Brasil apresentou como prova um vídeo que mostraria o sistema hospitalar trocando automaticamente a via de administração do medicamento.

As duas profissionais foram afastadas de suas funções no Hospital Santa Júlia.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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Fonte : CNN

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