O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, respondeu às críticas provenientes do Palácio do Planalto sobre a nomeação do Secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, como relator do projeto Antifacção. O projeto, inicialmente elaborado pelo governo, gerou desconforto ao ser entregue a um aliado próximo de Tarcísio de Freitas, visto como um potencial candidato em 2026, sendo interpretado como uma possível afronta.
Em resposta, Motta enfatizou que sua função como presidente da Câmara não o obriga a concordar com todas as decisões do governo, embora reconheça ter colaborado em outras ocasiões.
“Sou presidente da Câmara. Não sou líder do governo que tem que obrigatoriamente agradar o governo com as suas escolhas,” afirmou Motta em entrevista, destacando sua relação de respeito com o presidente Lula, a ministra Gleisi Hoffmann e o líder José Guimarães. “Temos tido um diálogo constante sobre as pautas de interesse do país, pude ajudar com muitas pautas de interesse do governo, a exemplo da questão da isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil.”
Motta também ressaltou que a escolha de um relator é uma prerrogativa sua e negou que a decisão tenha sido motivada por interesses políticos.
“É importante que ao final se olhe a vontade do plenário sobre cada matéria que está sendo apreciada. O presidente tem o poder de pauta, de designar relatores, mas ao final é a vontade do plenário que impera,” explicou. “A minha decisão de trazer o secretário Derrite não atendeu a uma preferência política. Foi uma escolha minha. O deputado Derrite tem feito um trabalho técnico, tem ouvido inclusive o governo.”
Contudo, a proposta de Derrite tem sido alvo de controvérsia e já passou por cinco versões. Especialistas alertam que a equiparação de organizações criminosas a grupos terroristas pode acarretar sanções internacionais para o Brasil, além de enfraquecer o papel da Polícia Federal.
Diante das divergências, Motta defendeu a busca por um consenso entre oposição e governo. “Não é hora de politizar o tema. É hora de podermos encontrar conjuntamente a melhor proposta possível,” concluiu.
Fonte: paraiba.com.br