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A Anthropic entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira (9) para impedir que o Pentágono a coloque em uma lista de segurança nacional, aumentando o confronto da startup de inteligência artificial com os militares dos Estados Unidos sobre restrições de uso da tecnologia.

Na quinta-feira (5), o Pentágono impôs à Anthropic uma designação formal de risco à cadeia de suprimentos norte-americana, limitando o uso de uma tecnologia que, segundo uma fonte, estava sendo usada para operações militares no Irã.

A Anthropic afirma na ação que a inclusão da empresa na lista é ilegal e viola os direitos de liberdade de expressão e devido processo legal. O processo no tribunal federal da Califórnia pede a um juiz que ordene a retirada da empresa da lista e impeça que agências federais a apliquem contra ela.

“Essas ações não têm precedentes e são ilegais. A Constituição não permite que o governo exerça poder para punir uma empresa por discurso protegido”, argumentou a Anthropic.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, designou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos de segurança nacional dos EUA na semana passada, depois que a startup se recusou a remover barreiras contra o uso de IA para armas autônomas ou vigilância doméstica.

A designação representa uma grande ameaça aos negócios da Anthropic com o governo dos EUA, e o resultado pode moldar a forma como outras empresas de IA negociam restrições ao uso militar de tecnologia, embora o presidente-executivo da empresa, Dario Amodei, tenha esclarecido na quinta-feira (5) que a designação tem “um escopo restrito” e que as companhias ainda poderiam usar as ferramentas em projetos não relacionados ao Pentágono.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também instruiu o governo norte-americano a parar de trabalhar com a Anthropic, cujos patrocinadores financeiros incluem Google e Amazon. Trump e Hegseth disseram que haveria uma eliminação gradual de seis meses dos produtos da empresa das instâncias do governo dos EUA.

As ações de Trump e Hegseth em 27 de fevereiro ocorreram após meses de conversas com a Anthropic sobre se as políticas da empresa poderiam restringir a ação militar e logo após Amodei ter se reunido com Hegseth na esperança de chegar a um acordo.

O Pentágono apontou que a lei dos EUA, e não uma empresa privada, determina como defender o país e insistiu em ter total flexibilidade no uso da IA para “qualquer uso legal”, afirmando que as restrições da Anthropic poderiam colocar em risco vidas norte-americanas.

A Anthropic disse que mesmo os melhores modelos de IA não são confiáveis o suficiente para armas totalmente autônomas e que usá-las para esse fim seria perigoso. A empresa também traçou uma linha vermelha na vigilância doméstica dos norte-americanos, chamando isso de violação dos direitos fundamentais.

Após o anúncio de Hegseth, a Anthropic afirmou em um comunicado que a inclusão da empresa na lista de restrição seria juridicamente infundada e abriria um precedente perigoso para as companhias que negociam com o governo dos EUA. A empresa disse que não se deixaria influenciar por “intimidação ou punição” e, na quinta-feira (5), Amodei reiterou que a Anthropic iria recorrer à Justiça.

Amodei também se desculpou por um memorando interno publicado na quarta-feira (4) pelo site de notícias de tecnologia The Information. No memorando, que foi escrito na última sexta-feira (27), Amodei disse que as autoridades do Pentágono não gostavam da empresa, em parte porque “não fizeram elogios ao estilo ditatorial a Trump”.

O Departamento de Defesa assinou acordos no valor de até US$ 200 milhões cada com os principais laboratórios de IA no ano passado, incluindo Anthropic, OpenAI e Google.

A OpenAI, apoiada pela Microsoft, anunciou um acordo para usar a tecnologia na rede do Departamento de Defesa dos EUA logo depois que Hegseth colocou a Anthropic na lista de restrição. O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, disse que o Pentágono compartilha os princípios da empresa, de garantir a supervisão humana dos sistemas de armas e de se opor à vigilância em massa dos EUA.

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Fonte : CNN

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