O Irã enfrenta um momento de grande instabilidade política após a morte do líder supremo Ali Khamenei. Segundo análise do especialista Américo Martins, o país atravessa um período crucial, com um sistema político que demonstra profundos sinais de esgotamento.
No entanto, apesar da fragilidade aparente, não será fácil derrubar o regime dos aiatolás que governa o país há mais de quatro décadas.
Segundo Martins, não há precedentes históricos de mudanças de regime que tenham sido realizadas apenas com bombardeios aéreos, como os que Israel e Estados Unidos têm conduzido contra o território iraniano.
O assunto foi analisado no videocast Fora da Ordem (ao vivo toda sexta, às 13h), na última sexta-feira (6).
“Quando você tem uma mudança de regime, você normalmente tem uma invasão”, explicou o analista, citando exemplos recentes como Iraque, Afeganistão e Líbia, todos considerados fracassos em termos de estabilidade política após intervenções estrangeiras.
Por que o regime iraniano é resiliente
O que torna o Irã particularmente resistente a tentativas de mudança de regime é sua estrutura institucional cuidadosamente desenvolvida ao longo dos 47 anos desde a revolução islâmica de 1979. “É um regime que, ao longo desses anos de revolução islâmica, foi se preparando para conflitos. Sabia que estava numa vizinhança hostil”, explicou Martins.
Diferentemente de outros regimes autocráticos que dependem exclusivamente de uma figura central, o sistema iraniano possui múltiplos pilares de sustentação. “Fora que não é um regime que depende de uma pessoa. Vocês decapitaram, os Estados Unidos decapitou o regime, matou o líder supremo, mas existe toda uma estrutura institucional no Irã”, destacou o analista.
Entre essas estruturas estão a Guarda Revolucionária, considerada o principal pilar de sustentação do regime, além das forças militares convencionais, o exército regular e o BASIG, uma milícia paramilitar. Somado a isso, existe uma ideologia fundamentada em uma interpretação particular do Islã que serve como elemento aglutinador para muitos setores da sociedade iraniana.
Cenário atual e perspectivas futuras
O cenário atual é de grande tensionamento, com Israel e Estados Unidos intensificando ataques contra o território iraniano. Segundo Martins, o presidente Donald Trump deixou claro que não aceitará nada menos que “uma rendição incondicional e o colapso total do regime iraniano”, o que sugere um prolongamento do conflito.
O analista também mencionou que há indícios de que os Estados Unidos estariam planejando armar milícias curdas para atuarem dentro do território iraniano, numa tentativa de fomentar rebeliões internas. “Isso pode levar a uma guerra civil no Irã”, alertou, comparando com situações semelhantes em outros países do Oriente Médio.
A mesma pergunta sobre resistência que se faz ao Irã também se aplica aos Estados Unidos e Israel, questionou Martins.
Enquanto Israel parece determinado a enfraquecer ao máximo a República Islâmica, eliminando suas lideranças políticas, religiosas e militares, a posição americana pode ser mais volátil, especialmente considerando a oposição interna à guerra e as possíveis mudanças de posicionamento de Donald Trump.
Por enquanto, apesar da intensidade dos ataques e da pressão internacional, o regime iraniano parece determinado a resistir, apoiado em estruturas de poder que foram meticulosamente construídas para enfrentar ameaças externas.
source
Fonte : CNN