A engenheira Poliana Frigi afirmou, em suas redes sociais, nesta terça-feira (24), que foi constrangida enquanto treinava em uma academia localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Segundo o relato, uma funcionária do estabelecimento teria abordado a aluna pedindo que ela colocasse uma blusa para cobrir o top que estava usando, alegando ser “para sua segurança”, pois havia “homens casados” no local.
Poliana conta que também foi questionada se a peça seria um sutiã, após supostas reclamações de outros alunos. A engenheira explicou que se tratava de uma roupa apropriada para treino.
“Eu falei assim: ‘Não, moça, isso aqui é um top’. Daí ela: ‘Ah, é? Você não teria uma camiseta para colocar, alguma coisa para cobrir? Porque tem homens casados aqui e não fica legal para você, né? Principalmente pela sua própria segurança’. ‘Eu o quê? Pela minha segurança? Como assim?’. Na hora eu fiquei em choque”.

A engenheira afirma que, assustada, foi com o namorado questionar a conduta da funcionária e pediu para falar com o responsável pela academia. Nesse momento, foi informada de que a abordagem havia sido autorizada pelo gerente do estabelecimento.
Poliana também disse que não recebeu pedido de desculpas e que a empresa não entrou em contato com ela.
“E até onde isso vai ser normal? Até onde pessoas, homens e mulheres, vão chegar e repreender outras mulheres pelo vestimento delas? Independente de que tipo de roupa eu estava usando”, questionou.
O relato da aluna viralizou nas redes sociais e já ultrapassa 42 mil visualizações.
O que diz a academia
Em nota publicada nas redes sociais, a John Boy Academia, responsável pela unidade, afirmou que “tomou conhecimento das manifestações” e que o caso está sendo tratado com “máxima seriedade e atenção”.
O comunicado destaca que a rede tem o compromisso de “proporcionar um ambiente respeitoso, seguro e acolhedor para todos os alunos” e informou que iniciou uma apuração interna para esclarecer o ocorrido.
A academia também afirmou que reconhece o erro e busca contato com Poliana.
No entanto, na própria publicação, a aluna rebateu o posicionamento e disse que não foi procurada pela empresa. Segundo ela, também tentou resolver a situação de forma respeitosa, mas não obteve retorno.
“É revoltante ver uma versão sendo exposta publicamente que não condiz com a realidade, enquanto o desrespeito vivido por mim é minimizado”, afirmou.
Veja a nota completa da academia na íntegra:
“A John Boy Academia tomou conhecimento das manifestações recentes envolvendo uma aluna em uma de nossas unidades e esclarece que o caso está sendo tratado com a máxima seriedade e atenção.
Nosso compromisso sempre foi proporcionar um ambiente respeitoso, seguro e acolhedor para todos os alunos, pautado pelo respeito à individualidade e à dignidade de cada pessoa.
Entendemos que qualquer situação que possa gerar desconforto deve ser abordada com sensibilidade, cuidado e responsabilidade. Por isso, iniciamos imediatamente uma apuração interna para compreender integralmente o ocorrido.
Estamos buscando contato direto com a aluna envolvida para ouvi-la. Internamente, já iniciamos a revisão de nossos protocolos de atendimento e comunicação, incluindo treinamentos voltados a respeito, diversidade e inclusão para toda a equipe.
A academia reforça que não compactua com condutas inadequadas ou que possam causar constrangimento e reafirma seu compromisso com a melhoria contínua de seus processos.
Pedimos desculpas à nossa aluna e a todos que se sentiram afetados por este episódio. Reconhecemos que erros podem ocorrer, mas o que define uma organização é a forma como eles são enfrentados — e estamos comprometidos em evoluir com responsabilidade e respeito.
Seguimos firmes em nosso compromisso de aprimorar continuamente nossos processos, sempre priorizando o bem-estar e o respeito aos nossos alunos”.
*Sob supervisão de AR.
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Fonte : CNN