As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) afirmaram ter sido vítimas de discriminação e transfobia após terem suas fotos incluídas em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitos da Polícia Civil de Pernambuco.
Nas redes sociais, as parlamentares cobraram providências da governadora Raquel Lyra e do sistema de Justiça.
🚨ABSURDO !!!! A Polícia está utilizando a minha foto e a da Erika Hilton em álbuns de reconhecimento de suspeitos.
Esses álbuns são usados para que vítimas identifiquem suspeitos de crimes.
Isso é gravíssimo! Isso é racismo e transfobia institucional. Já acionei a Justiça.… pic.twitter.com/KaYYBlFdXJ
— Duda Salabert (@DudaSalabert) March 24, 2026
Erika Hilton ainda usou as redes para declarar que cobra respostas do motivo de aparecer no livro.
O uso do reconhecimento fotográfico tem normas claras, definidas pelo Código Penal, sendo exigido o mais alto grau de responsabilidade ao utilizá-lo, conforme já definiu o CNJ e o STJ.Isso não é o caso. Isso é incompetência, discriminação e, sim, transfobia.
Isso não é o caso. Isso é incompetência, discriminação e, sim, transfobia.[/quote]
Em resposta, a chefe do Executivo estadual classificou o caso como “inadmissível” e determinou a abertura de investigação pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social.
A governadora afirmou ainda que “preconceito e violência simbólica não são tolerados em Pernambuco”.
O caso levou a uma representação apresentada por Erika Hilton e pela vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL-PE) à Corregedoria da Secretaria de Defesa Social e ao Ministério Público de Pernambuco.
Segundo o documento, ao qual a CNN Brasil teve acesso, as imagens das deputadas foram inseridas em um conjunto de apenas seis fotografias exibidas à vítima, que teria sido alvo de roubo em fevereiro de 2025. A Defensoria apontou que a seleção das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim características identitárias, como gênero e raça.
A representação aponta que a pessoa investigada era uma mulher trans, “circunstância que deveria impor à autoridade policial especial rigor e observância estrita de critérios individualizados na seleção de imagens”.
De acordo com a Defensoria Pública de Pernambuco, quando o procedimento é realizado com base em estereótipos e não em características individuais, o art. 226 do CPP é violado, além de princípios constitucionais como igualdade, não discriminação e dignidade da pessoa humana.
Desse modo, o órgão solicitou a nulidade do ato, por entender que a prova é inválida e não pode fundamentar condenação. Uma comunicação formal também foi realizada às parlamentares sobre o uso indevido de imagens e medidas cabíveis.
No documento, as parlamentares ainda afirmaram que o episódio revela uma falha grave na atuação policial, com potencial de configurar abuso de autoridade e violação de direitos fundamentais.
As deputadas pedem a responsabilização dos envolvidos nas esferas administrativa, civil e penal, além da revisão dos protocolos de reconhecimento, a fim de evitar a repetição de práticas discriminatórias.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que iniciou uma investigação preliminar para apurar o caso. Leia na íntegra:
“Sobre o uso de imagens pela Polícia Civil de Pernambuco, em reconhecimento fotográfico, a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) iniciou uma Investigação Preliminar, por meio da qual as informações serão verificadas, assim como serão coletados os subsídios necessários para instauração de processo administrativo.
A Polícia Civil de Pernambuco assegura a apuração rigorosa dos fatos noticiados, bem como a adoção de todas as medidas cabíveis. A instituição também reforça a implementação contínua de diretrizes, protocolos e ações voltadas à orientação de seus servidores, visando a uma atuação sempre ética, responsável e livre de qualquer forma de preconceito.
A Corporação repudia, de forma veemente, qualquer prática de preconceito ou discriminação, reafirmando seu compromisso com a dignidade humana, o cumprimento dos preceitos legais e a promoção de um atendimento igualitário a toda a população.”
*Sob supervisão de Felipe Andrade
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Fonte : CNN