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O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com recursos do governo do Japão, vai financiar um novo projeto para mapear depósitos de minerais críticos no Brasil, com foco em terras raras, lítio e grafite, insumos considerados estratégicos para a transição energética e a indústria tecnológica.

A iniciativa, no valor de US$ 890 mil, prevê levantamentos geológicos e geoquímicos em regiões consideradas promissoras, como áreas da Bahia e do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, com o objetivo de identificar novos depósitos e reduzir riscos para investidores privados.

O projeto, identificado como BR-T1690, e recebido com exclusividade pela CNN Infra, foi solicitado pelo governo brasileiro por meio do MME (Ministério de Minas e Energia) e do SGB (Serviço Geológico do Brasil), e terá execução orçamentária direta do BID ao longo de 36 meses. Os trabalhos em território nacional serão conduzidos pelo SGB.

Segundo o documento do banco, a iniciativa busca ampliar o conhecimento geológico do país, ainda considerado limitado em relação ao potencial mineral brasileiro.

Cerca de 55% das áreas de embasamento cristalino do território brasileiro, onde normalmente se concentram minerais, ainda não foram mapeadas na escala 1:100.000, considerada a mais adequada para avaliar o potencial mineral e atrair investimentos no setor.

O mapeamento geológico é considerado uma etapa fundamental para o setor mineral.

Essas informações reduzem o risco exploratório, orientam investimentos e permitem que empresas identifiquem áreas com maior probabilidade de abrigar depósitos economicamente viáveis.

O programa será dividido em quatro frentes principais.

A primeira prevê um estudo eletromagnético na província grafítica Minas-Bahia, com o objetivo de identificar novas mineralizações e ampliar o conhecimento sobre reservas já existentes.

A segunda etapa será voltada para terras raras na Bahia, com levantamentos geoquímicos para identificar novos alvos e desenvolver um mapa de favorabilidade mineral, ferramenta usada por empresas para direcionar investimentos exploratórios.

Já a terceira frente terá foco no lítio no Vale do Jequitinhonha, região que vem se consolidando como um dos principais polos do mineral no país.

O projeto prevê a coleta de amostras de solo e geração de dados geológicos para apoiar a identificação de novos depósitos.

A última etapa será voltada ao fortalecimento institucional e de governança, com o objetivo de aprimorar a capacidade do país de mapear e gerir recursos minerais estratégicos, com base na experiência do Japão em tecnologias avançadas de mineração.

O BID afirma que os dados gerados serão pré-competitivos e públicos, o que tende a reduzir riscos exploratórios e atrair novos investimentos privados para o setor mineral brasileiro.

A iniciativa ocorre em meio à corrida global por minerais críticos, usados em tecnologias como baterias de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta desafios para avançar no setor, como os preços baixos das terras raras, complexidade técnica dos projetos e cautela de investidores.

O BID avalia que, com maior conhecimento geológico e dados públicos mais robustos, o Brasil pode acelerar a descoberta de novos depósitos e ampliar sua participação no mercado global de minerais críticos.

Mapeamento geológico

É comum ouvir de autoridades públicas, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apenas cerca de 30% do território nacional está mapeado na escala 1:100.000, considerada a mais adequada para avaliação de potencial mineral e atração de investimentos no setor.

Esse dado, embora correto do ponto de vista técnico, inclui áreas como grandes bacias sedimentares, onde a probabilidade de ocorrência de depósitos minerais economicamente relevantes é baixa.

Quando a análise se concentra apenas no embasamento cristalino, domínio geológico que concentra grande parte das províncias minerais do país, o cenário muda. Nesse recorte, a cobertura de mapeamento na escala adequada sobe para cerca de 45% do território.

Em regiões com tradição mineral consolidada, o nível de conhecimento geológico é ainda maior.

No estado de Minas Gerais, conhecido por concentrar algumas das maiores reservas minerais do país, a cobertura de mapeamento geológico na escala 1:100.000 já é bastante avançada. Grande parte do território mineiro foi levantada nessa escala.

No Quadrilátero Ferrífero, uma das províncias minerais mais tradicionais do mundo, o nível de detalhamento é ainda maior. A região já conta com praticamente 100% de cobertura na escala 1:100.000 e, em algumas áreas, os levantamentos foram realizados em escalas ainda mais detalhadas, como 1:25.000, utilizadas para estudos geológicos de alta precisão.

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Fonte : CNN

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