Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado pela ONU nesta segunda-feira (23), confirma que o planeta Terra acaba de atravessar a década mais quente desde o início dos registros climáticos sistemáticos. O documento revela uma tendência preocupante de aquecimento global que já impacta diretamente o cotidiano das pessoas e a economia mundial. Análise é de Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia.
Segundo Côrtes, estas mudanças climáticas não são questões pontuais, mas alterações que vêm sendo percebidas ano após ano.
“Não é uma questão meramente científica, é uma questão que já impacta o nosso dia a dia”, afirmou: “Os últimos dez anos foram os mais quentes desde que os registros sistemáticos começaram a ser realizados”.
Impactos econômicos do aquecimento global
O aquecimento global tem gerado consequências diretas na economia, incluindo o fenômeno que especialistas já chamam de “inflação climática“. Os reservatórios de muitas usinas hidrelétricas na região central do Brasil vêm trabalhando com níveis médios abaixo do histórico esperado devido às mudanças climáticas.
“Com isso, essas usinas perdem capacidade de geração de energia elétrica, elas não conseguem gerar o total esperado para essa época do ano, época de estiagem e aí temos que usar as termoelétricas, que tem um custo operacional muito elevado, especialmente agora, com essa crise internacional do petróleo. E isso vai parar aonde? Na conta do consumidor”, explicou Pedro Côrtes.
A produção de alimentos também é severamente afetada. “Muitas vezes, culturas, plantios são prejudicados exatamente pela estiagem ou, às vezes, pelo excesso de chuva que dificulta a colheita”, destacou Cortes. Consequentemente, há aumento nos preços dos alimentos, contribuindo para a pressão inflacionária global.
Causas e perspectivas futuras
As principais causas desse cenário de aquecimento são a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. No Brasil, a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa são as queimadas, que contribuem significativamente para o aquecimento global.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou em seu pronunciamento que a crise climática está expondo a vulnerabilidade global à dependência de combustíveis fósseis, que desestabilizam tanto o clima quanto a segurança global. “Agora, mais do que nunca, devemos acelerar a transição justa para energia renovável“, afirmou Guterres.
O relatório da OMM serve como alerta para a necessidade urgente de políticas climáticas mais efetivas. Além dos impactos diretos na economia, as mudanças climáticas também têm provocado eventos extremos como inundações, secas prolongadas e ondas de calor, resultando em mortes e deslocamentos populacionais em várias partes do mundo.
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Fonte : CNN