As autoridades da Colômbia trabalham para determinar as causas do acidente que envolveu, na segunda-feira (22), um avião da Força Aérea Colombiana (FAC), que matou pelo menos 66 pessoas e gerou debate político sobre o estado da aeronave a dois meses das eleições presidenciais.
O acidente aconteceu às 9h50 (14h50 GMT), quando o avião, que partiu de Puerto Leguízamo com destino a Puerto Asís, no departamento do Putumayo, caiu pouco depois da decolagem em uma área de floresta próxima à fronteira com Peru e Equador.
Quem estava a bordo
O comandante das Forças Militares, general Hugo López, detalhou que viajavam na aeronave 11 tripulantes da FAC, 115 integrantes do Exército e dois da Polícia Nacional.
O balanço mais recente corrigiu dois relatórios anteriores sobre o número de pessoas na aeronave. Um primeiro relatório indicava 125 pessoas (11 tripulantes e 114 passageiros), enquanto uma mensagem do presidente Gustavo Petro mencionava 121 pessoas.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que, além das dificuldades para os primeiros socorros na região amazônica, “como consequência do incêndio da aeronave, parte da munição transportada pelos militares explodiu”, agravando ainda mais a situação.
Mortes confirmadas
Até a noite de segunda-feira (23), o general López informou que 66 pessoas haviam morrido: seis da Força Aérea Colombiana, 58 do Exército e duas da Polícia Nacional.
A FAC divulgou os nomes dos tripulantes falecidos: tenente-coronel Amador Pinilla Juan Pablo (40), major Jaime Alexander Fernández Camargo, major Natalia Rojas Velandia, subtenente González Herrera Julián David (25), técnico primeiro Méndez Torres Javier Fernando (39) e técnico segundo Pinzón Reyes Jhonathan Stid.
Estado dos feridos
Foram resgatados 57 militares, sendo que oito foram levados para Florencia e 49 para Bogotá. Destes, 19 receberam atendimento no Hospital Militar Central e 30, com ferimentos leves, no Batalhão de Saúde Militar.
Além disso, um soldado saiu ileso e quatro ainda estavam desaparecidos.

Causas do acidente
As autoridades descartam, até o momento, a hipótese de ataque. “Não há informações ou indícios que indiquem que se tratou de um atentado por algum grupo armado ilegal”, declarou López.
“Investigações para determinar as causas do acidente serão conduzidas com total rigor e rapidez”, acrescentou.
Na região operam dissidências da antiga guerrilha das FARC, que controlam cultivos ilícitos, mas, segundo o ministro da Defesa, não há sinais de envolvimento desses grupos. Ele garantiu que a investigação será rigorosa, transparente e rápida, e que “o país conhecerá a verdade”.
Sobre o avião
O avião era um Hércules C-130H, modelo antigo da série C-130, que entrou em serviço em março de 1965, segundo a fabricante Lockheed Martin.
A aeronave é amplamente utilizada para transporte de carga e capaz de operar em condições adversas e áreas remotas.
O avião foi doado à Colômbia pelos Estados Unidos em setembro de 2020 e tinha 43 anos de uso, conforme o portal especializado SA Defensa, tendo entrado em operação em 1983.
O presidente Gustavo Petro afirmou que, em 2020, durante o governo de Iván Duque, o país adquiriu “chatarra” e destacou que seu governo tentou renovar o armamento militar, mas encontrou dificuldades burocráticas.
Opositores criticaram cortes no orçamento da Defesa, afirmando que eles prejudicam a manutenção das aeronaves e a segurança das tropas.
A candidata presidencial Claudia López escreveu em sua conta no X: “Presidente, se se dedicasse mais a governar do que a fazer campanha por seu partido e candidato, teria realizado a tempo esta e outras medidas essenciais para garantir a segurança de nossas tropas, população e territórios.”
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Fonte : CNN