O futuro ministro da Agricultura, André de Paula (PSD), deve assumir o cargo com o desafio de destravar a execução de emendas parlamentares destinadas à pasta, em um momento de troca de comando e rearranjo político na Esplanada dos Ministérios.
Correligionário de Carlos Fávaro, que deixa o cargo para disputar uma vaga no Senado por Mato Grosso, André de Paula assume com a expectativa de melhorar a interlocução com o Congresso. Nos bastidores, a avaliação é que Fávaro enfrentou dificuldades para avançar no ritmo de execução das emendas, tema que deve ganhar prioridade na nova gestão.
A avaliação, compartilhada por integrantes da bancada ruralista ouvidos pela reportagem, é de que o ministro, com forte trânsito político, pode acelerar o pagamento dessas verbas — consideradas estratégicas em ano eleitoral.
Os dados, no entanto, mostram um cenário de descompasso. A destinação de emendas parlamentares ao Ministério da Agricultura mais que triplicou desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a execução não acompanhou esse avanço.
Levantamento feito com dados do MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento) aponta que os valores destinados à pasta saltaram de cerca de R$ 470 milhões em 2023 para mais de R$ 1,5 bilhão em 2024, mantendo-se elevados em 2025, quando superaram R$ 1,8 bilhão. Em 2026, até o momento, o volume já passa de R$ 1 bilhão.
Apesar disso, o volume efetivamente pago segue bem abaixo. Em 2023, foram cerca de R$ 67 milhões pagos; em 2024, R$ 128 milhões; e, em 2025, menos de R$ 200 milhões — uma fração do total autorizado no orçamento.
Nos últimos anos, em meio ao esforço para cumprir as metas fiscal e controlar as despesas, o governo tem adotado medidas de contenção e ajuste no ritmo de execução orçamentária, o que também impacta a liberação de emendas parlamentares.
Embora parte dessas emendas — especialmente as individuais (RP6) e de bancada (RP7) — tenha execução obrigatória, o pagamento efetivo depende da programação financeira ao longo do ano. Na prática, nem todos os recursos autorizados são liberados no mesmo ritmo.
No Ministério da Agricultura, as emendas têm papel relevante no financiamento de ações como aquisição de máquinas e equipamentos, apoio à infraestrutura rural, convênios com municípios e repasses para projetos locais — muitas vezes direcionados diretamente pelas bases eleitorais dos parlamentares.
Nesse contexto, a atuação do ministro é vista como central. Embora não controle diretamente o caixa, cabe à pasta priorizar projetos, destravar processos internos e negociar com a equipe econômica e o Congresso o ritmo de liberação dos recursos.
A escolha de um nome do PSD também visa manter o apoio do partido e um movimento do governo para reforçar a base no Congresso, em um momento em que a articulação política é vista como chave para a agenda econômica e para o ciclo eleitoral de 2026.
Enquanto não assume a Agricultura, André de Paula segue como ministro da Pesca e Aquicultura — posto que ocupa desde 2023. A passagem de bastão deve ocorrer oficialmente na próxima semana, em cerimônia no Palácio do Planalto.
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Fonte : CNN