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Os italianos rejeitaram uma emblemática reforma judicial defendida ​pela primeira-ministra, Giorgia Meloni. O resultado foi um revés para a coalizão de direita antes das eleições gerais do próximo ano.

Com a maioria das cédulas contadas após o referendo realizado entre o domingo e esta segunda-feira (23), o bloco do “Não”, apoiado pela oposição, obteve quase 54% dos votos, contra 46% a favor da iniciativa do governo de reescrever a Constituição e reformular o Judiciário italiano, que é extremamente ⁠independente.

“Os italianos decidiram e nós respeitamos ​essa decisão”, disse Meloni em uma mensagem publicada nas redes sociais.

“Claramente, lamentamos ​essa oportunidade perdida de modernizar a Itália, mas isso não muda nosso compromisso ⁠de continuar trabalhando com seriedade e determinação ⁠para o bem da nação”, acrescentou, deixando claro que não tem ​intenção ‌de renunciar.

O comparecimento às urnas foi muito maior do que o esperado, quase 60%, ⁠com os eleitores aparentemente animados por uma campanha acalorada que revelou a profunda animosidade entre a coalizão de direita e os magistrados italianos, o que deixará marcas duradouras.

Cerca de 50 magistrados ‌se ⁠reuniram no tribunal ‌da cidade de Nápoles, no sul do país, para acompanhar a apuração e começaram a cantar o hino antifascista da resistência “Bella Ciao” quando ficou claro que o governo havia ⁠perdido.

A derrota tira de Meloni a fama ⁠de vencedora aos olhos do eleitorado italiano após quatro anos de vitórias em uma série de pesquisas locais e ‌nacionais.

“Quando um líder perde seu toque mágico, todos começam a duvidar dele, e há uma coisa que ele absolutamente não pode fazer. Ele não pode fingir que tudo continua como sempre”, disse Matteo Renzi, que deixou o cargo de primeiro-ministro em ‌2016 após perder um referendo sobre sua própria agenda de reforma constitucional.

Em contrapartida, o resultado pode ainda reenergizar a fragmentada centro-esquerda, dando aos dois maiores partidos de ⁠oposição, o Partido Democrático e o Movimento 5 Estrelas, o ímpeto para forjar uma ampla aliança e enfrentar o bloco conservador.

“Conseguimos! Viva a Constituição”, disse o líder do Movimento 5 ​Estrelas e ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte.

O momento da disputa se mostrou desafiador para Meloni, com os ​italianos nutrindo uma clara antipatia por seu aliado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e temerosos que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã aumente os já altos preços domésticos de energia.

 

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Fonte : CNN

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