O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) emitiu uma carta de intenção para financiar em até US$ 190 milhões ( cerca de R$1 bilhão na cotação atual) o Projeto Jaguar, da Centaurus Metals, no Pará, em mais um movimento que indica o avanço de um dos principais projetos de níquel em desenvolvimento no Brasil.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (23) pela empresa.
A proposta, ainda não vinculante, prevê financiamento via linha FINEM, principal instrumento do banco para projetos de grande porte, e ocorre após meses de análise técnica do empreendimento. O projeto agora avança para as etapas finais de avaliação, que incluem análises financeira, jurídica, ambiental e de crédito, antes de eventual aprovação definitiva.
“O BNDES é uma parte importante do ecossistema do governo brasileiro e um dos principais agentes de financiamento de projetos de grande porte no país, incluindo novos empreendimentos de minerais críticos, como o que está sendo desenvolvido em Jaguar. O apoio por meio dessa carta de intenção destaca a importância estratégica do Projeto Jaguar como um futuro fornecedor de níquel produzido de forma responsável para a transição energética global’, disse o CEO da Centaurus, Darren Gordon.
O apoio do banco se soma ao recente contrato firmado pela Centaurus com a Glencore, que prevê a venda de parte da produção futura de níquel do projeto, em um pacote que começa a destravar o financiamento da operação.
O contrato com a Glencore prevê ainda algumas condições para entrar plenamente em vigor.
Entre elas estão a decisão final de investimento do projeto até setembro de 2026, o avanço das obras de infraestrutura — incluindo a construção da barragem — e o início da produção de concentrado até o início de 2029. Caso esses marcos não sejam cumpridos, a Glencore poderá rescindir o acordo.
Na prática, a combinação entre contrato de venda e potencial financiamento público sinaliza ao mercado que o projeto começa a se consolidar como viável do ponto de vista comercial e financeiro.
Produto intermediário e cadeia global
O Projeto Jaguar prevê a produção de concentrado de níquel, um produto intermediário da cadeia mineral. Após a extração, o minério passa por processos industriais que elevam o teor do metal, mas ainda exige etapas posteriores de fundição e refino para se transformar em produtos de maior valor agregado.
Pelo acordo já assinado, parte desse material será exportada para processamento no exterior, com destino ao complexo da Glencore em Sudbury, no Canadá.
Na etapa final da cadeia, o níquel pode ser transformado em produtos de alta pureza, como o chamado níquel classe 1, utilizados em aplicações industriais mais sofisticadas, incluindo ligas metálicas e baterias.
Metal estratégico
O níquel é considerado um dos minerais críticos para a transição energética. Além do uso tradicional na produção de aço inoxidável, o metal tem ganhado relevância crescente na fabricação de baterias para veículos elétricos, especialmente nas tecnologias que buscam maior densidade energética.
Esse cenário tem impulsionado o interesse global por novos projetos, sobretudo em países capazes de fornecer o metal fora da cadeia asiática, hoje dominante no processamento de minerais estratégicos.
Avanço do projeto
Localizado na província mineral de Carajás, o Projeto Jaguar é baseado em depósitos de níquel sulfetado, tipo de minério considerado mais adequado para a produção de níquel de alta qualidade, utilizado em aplicações industriais mais exigentes.
O cronograma da empresa prevê a decisão final de investimento em 2026 e início da produção no fim da década.
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Fonte : CNN