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As imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência da morte da soldado da PM Gisele Alves Santana, obtidas pela CNN Brasil, mostram momentos decisivos que ajudaram a Polícia Civil de São Paulo a mudar o rumo da investigação, de suicídio para feminicídio.

Os registros capturam as primeiras interações entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, e o policial responsável pelo atendimento no local. Logo no início da abordagem, ao ser questionado sobre o que teria ocorrido dentro do apartamento, o oficial não responde diretamente sobre a causa da morte.

Em vez disso, ele passa a detalhar gastos mensais da casa. Segundo as imagens, o tenente-coronel afirma que arcava sozinho com as despesas, citando valores como cerca de R$ 6 mil com aluguel, condomínio e contas domésticas. Veja abaixo:

Ele também menciona uma ajuda financeira que dizia fornecer à esposa e o pagamento parcial da escola da filha de Gisele, que descreve como uma instituição “cara”, localizada na região central da cidade.

Somente após esse relato financeiro, o oficial afirma que o relacionamento estava desgastado e que os dois viviam “como estranhos” dentro de casa. Em seguida, apresenta a versão de que a morte teria sido resultado de um suicídio.

De acordo com o inquérito policial, a postura do tenente-coronel chamou a atenção dos investigadores. As imagens mostram que ele relata a suposta dinâmica da morte sem sinais aparentes de descontrole emocional, comportamento descrito no relatório final como de “extrema frieza”.

Outro trecho das gravações reforça as inconsistências apontadas pela investigação. Enquanto ainda está no local, o policial responsável pela ocorrência informa a outros agentes que Gisele havia sido socorrida com sinais vitais, com pulso e respiração, apesar de um ferimento grave causado por disparo de arma de fogo na cabeça.

“Sou instrutor de tiro”: fala registrada em câmera chamou atenção de investigadores

Ao ouvir a informação de que a vítima ainda apresentava sinais vitais, o tenente-coronel, ainda sentado no chão, reage com uma declaração que passou a ser analisada com atenção pela investigação.

“Eu sou instrutor de tiro, tiro na cabeça P.40 é complicado. Senhor Jesus, por que ela fez isso?”, afirmou.

Para os investigadores, o comentário chamou a atenção por trazer um elemento técnico no momento em que os policiais ainda tentavam entender o que havia acontecido e prestavam socorro à vítima. A fala foi incluída no conjunto de elementos analisados no inquérito, ao lado de outras contradições e do comportamento do oficial no local.

Segundo a Polícia Civil, o material das câmeras corporais, aliado a laudos periciais e depoimentos, foi fundamental para afastar a hipótese inicial de suicídio.

A conclusão do inquérito aponta para feminicídio e embasou o pedido de prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

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Fonte : CNN

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