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A Copa do Mundo nos EUA, México e Canadá tem risco de possíveis atentados terroristas como sombra.

Segundo José Ricardo Bandeira, especialista em segurança pública e presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, “a possibilidade de um atentado terrorista durante a Copa do Mundo é extremamente real e elevada”.

A guerra no Oriente Médio, a falta de dinheiro e até a ação de “lobos solitários” aumentam o risco para atletas, delegações, turistas e moradores dos países anfitriões.

Falta dinheiro?

Os responsáveis pela organização nos Estados Unidos intensificaram os alertas e reclamações sobre o atraso na liberação de 625 milhões de dólares (aproximadamente R$ 3,2 bilhões) em verbas federais para segurança. O valor foi liberado na última semana. “É necessário um investimento muito grande que passa pelo monitoramento aéreo, drones, satélites, monitoramento físico, sistema de biometria…é um sistema gigantesco que começa nos aeroportos até os locais de evento. Mais de 600 milhões não farão o papel que deveriam fazer nesses eventos. A gente estima um aposto de 2 bilhões de dólares para ter um sistema de segurança eficiente para receber jogos, delegações e milhares de turistas”, explicou o especialista. 11 cidades americanas receberão os jogos entre junho e julho.

Irã pode boicotar a Copa

A participação da seleção do Irã ainda é incerta. A federação pediu a mudança dos jogos para o México, mas a Fifa dá indícios que não pretende mudar o calendário. Os iranianos estão no Grupo G e enfrentarão Nova Zelândia, Bélgica e Egito em jogos em Los Angeles e Seattle. Recentemente, o presidente Donald Trump disse que o Irã será bem-vindo na competição, mas o ideal seria que a seleção não participasse do mundial por risco a segurança deles próprios.

“Não existe a menor condição de segurança e tranquilidade para que a Seleção do Irã possa participar da Copa do Mundo em território americano. Os serviços de inteligência e os serviços internacionais de segurança são unânimes em recomendar que o Irã não participe desses eventos, pois os torcedores iranianos e a própria seleção poderão ser alvos de atentados terroristas feitos por radicais terroristas americanos e em solo americano”, explica Bandeira.

Terrorismo digital

O especialista também teme a ação de ciberterroristas. “Existes organizações especializadas em praticar o terrorismo cibernético. É possível que os EUA, México ou Canadá também sejam alvos de ataques. Isso pode tirar aviões de circulação, sistemas de monitoramento, GPS, drones”.

Estrutura americana

“Os EUA tem estrutura e tradição para lidar com terrorismo, principalmende depois do 11 de setembro. O país renovou toda a sua política contra atentados terroristas. O que precisa dentro do território americano é uma união entre municípios, o estado e o governo federal para que em conjunto os serviços de inteligência desses entes consigam monitorar ações de células terroristas que possam estar em território americano. O que é mais difícil é o monitoramento de “lobos solitários”, pois nem sempre um atentado é feito por uma organização terrorista, uma célula do Hezbollah e Hamas, e isso dificulta muito a investigação”, disse José Bandeira ao comentar que o melhor caminho está na união entre os entes estaduais, municipais e federal no combate ao terrorismo em solo americano.

Os “lobos solitários” são criminosos que agem por conta própria, não necessariamente sob orientação de um grupo terrorista.

O “calcanhar de Aquiles”

Bandeira entende que o México pode ser o “calcanhar de Aquiles” da Copa do Mundo, ou seja, um ponto fraco em termos de seguraça.

A morte de “El Mencho”, líder do cartel Nueva Generación, gerou uma onda de ataques no país. A situação foi contornada com a participação das forças de segurança mexicanas, mas acendeu o alerta vermelho na Fifa. O país terá três sedes e receberá o primeiro jogo da Copa.

Além do crime local, há também o perigo da “importação” de um problema.

“Existe um nível elevado de alerta com a possibilidade de algum desses cartéis cometer algum atentado durante a realização desses jogos. Tem outros problemas. Acessar as barreiras perimetrais no território mexicano é muito mais fácil que nos EUA, então organizações terroristas do Oriente Médio podem optar por realizar atentados no México invés de território americano, pois é muito mais fácil entrar no território mexicano devido às deficiências de segurança pública que existem lá. Terroristas podem também usar o México para entrar nos EUA e praticar atentados”, disse.

Como estão os preparativos?

Relatórios de inteligência analisados pela Reuters alertam para o risco de extremistas e criminosos terem como alvo a Copa do Mundo em um momento em que centenas de milhões de dólares destinados à segurança foram liberados com atraso, prejudicando o ritmo dos preparativos nos Estados Unidos.

Os documentos, até então não divulgados, foram produzidos por autoridades federais e estaduais norte-americanas, além da Fifa, entidade responsável pela organização do torneio.

Eles apontam para o risco de ataques extremistas, incluindo ações contra infraestruturas de transporte, além de possíveis distúrbios civis relacionados à política de imigração do presidente Donald Trump.

A Copa do Mundo, um dos maiores eventos esportivos do planeta, será disputada em junho e julho deste ano, com jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México.

Embora a segurança nesses eventos já seja tradicionalmente reforçada, autoridades norte-americanas estão em alerta ainda maior desde o início da guerra envolvendo o Irã, diante de preocupações com possíveis retaliações.

Nos últimos meses, responsáveis pela organização nos Estados Unidos intensificaram os alertas sobre o atraso na liberação de 625 milhões de dólares (aproximadamente R$ 3,2 bilhões) em verbas federais para segurança, previstas em um pacote orçamentário aprovado em julho de 2025 com apoio republicano.

A Agência Federal de Gestão de Emergências, encarregada de distribuir os recursos, havia informado em novembro que faria a liberação até 30 de janeiro.

Após questionamentos da Reuters neste mês, e reclamações de autoridades e organizadores sobre a ausência dos valores, a agência anunciou na quarta-feira que os recursos foram finalmente concedidos, afirmando que irão “reforçar os preparativos de segurança”.

Com a abertura da Copa marcada para 11 de junho no México — seguida por partidas nos Estados Unidos e Canadá no dia seguinte —, estados e cidades-sede já estão em fase avançada de planejamento, incluindo estratégias para prevenir possíveis ataques.

Segundo autoridades ouvidas pela Reuters, os atrasos no financiamento e os alertas de ameaças tornaram o processo ainda mais complexo.

De acordo com Mike Sena, presidente da National Fusion Center Association, a distribuição dos recursos costuma levar meses, enquanto a aquisição de tecnologia e equipamentos pode demandar ainda mais tempo. “Será extremamente apertado”, afirmou.

Um relatório de inteligência de dezembro de 2025, produzido em Nova Jersey — que sediará jogos, incluindo a final —, destacou ataques domésticos recentes, planos terroristas frustrados e a disseminação de propaganda extremista.

O documento também menciona a possibilidade de aglomerações espontâneas ligadas a tensões entre países.

Outro relatório, de setembro de 2025, identificou uma publicação online que incentivava ataques à infraestrutura ferroviária durante a Copa, sugerindo que haveria “muitas oportunidades” para descarrilar operações, com menção a jogos na costa oeste dos Estados Unidos e do Canadá.

Os documentos foram obtidos pela organização Property of the People.

Atrasos e disputa política

Democratas atribuíram o atraso na liberação dos recursos à então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.

Sob sua gestão, o departamento também reteve, no ano passado, centenas de milhões de dólares em verbas de segurança destinadas a estados governados por democratas e ao Distrito de Columbia, pressionando por maior rigor na fiscalização imigratória.

Em resposta, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, responsabilizou os democratas pelo impasse, citando divergências sobre políticas de imigração. Segundo ele, o presidente está focado em fazer desta “a maior Copa do Mundo da história”, garantindo ao mesmo tempo o evento “mais seguro já realizado”.

A política migratória de Trump já impacta o ambiente do torneio e gera preocupações sobre a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). Desde o início de seu mandato, em janeiro de 2025, agentes têm intensificado detenções de suspeitos de imigração irregular em cidades dos EUA e realizado abordagens em aeroportos, inclusive envolvendo turistas.

Dados do Departamento de Comércio dos EUA indicam queda no número de visitantes internacionais desde o início do governo Trump. Ainda assim, há sinais iniciais de forte demanda por voos e ingressos para a competição.

Em relatório da Fifa datado de 28 de janeiro, analistas alertaram que o ativismo contrário ao ICE em cidades americanas pode reduzir barreiras para “ações hostis de atores isolados ou elementos extremistas”.

Além disso, Trump implementou restrições totais ou parciais de viagem a cidadãos de mais de três dezenas de países, incluindo o Irã, que negocia com a Fifa a transferência de seus jogos para o México devido às tensões com os Estados Unidos.

Outras seleções classificadas — como Haiti, Costa do Marfim e Senegal — também enfrentam restrições para seus torcedores.

Eventos paralelos sob atenção

Autoridades apontam ainda preocupação com os eventos “Fifa Fã Festival”, que reúnem grandes públicos em áreas abertas para transmissão dos jogos.

Um festival planejado para o Liberty State Park, em Jersey City, durante toda a Copa, foi cancelado inesperadamente no mês passado e substituído por eventos menores.

A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, afirmou que a mudança permitiria ampliar o acesso da população. No entanto, segundo fontes envolvidas no planejamento, preocupações com segurança também influenciaram a decisão.

A deputada federal Nellie Pou, cujo distrito inclui o MetLife Stadium — um dos palcos da Copa —, destacou a dimensão do desafio. Segundo ela, cada uma das 104 partidas do torneio equivale, em termos de operação, a um Super Bowl.

“As autoridades locais e as forças de segurança certamente estarão sob grande pressão”, afirmou. “Elas precisam de cada dólar disponível — e precisam disso agora.”

 

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Fonte : CNN

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