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O novo marco legal do transporte público deverá ser votado pelo plenário da Câmara na primeira semana de abril, afirmou à CNN o relator do projeto, deputado José Priante (MDB-PA).

O PL 3278/21 chegou a ser pautado nesta quarta-feira (18) à noite pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas acabou não sendo analisado.

De acordo com Priante, foram apresentadas cerca de dez emendas ao texto de última hora, inclusive sugestões de aperfeiçoamento por parte do governo.

Diante disso, o deputado preferiu pedir mais alguns dias para fazer a análise de todas essas emendas e tentar uma costura para a aprovação do relatório final, sem a necessidade de retorno do projeto para o Senado — onde o PL 3278/21 já passou.

“Minha expectativa é positiva. Vamos fazer os últimos ajustes e voltar com a votação na primeira semana de abril”, disse Priante.

Segundo ele, o plenário da Câmara deverá ficar mais esvaziado na próxima semana, quando se abre a última janela para trocas partidárias, de olho nas eleições de outubro. Por isso, a estratégia é deixar a análise do projeto apenas para a semana seguinte.

Na terça-feira (17), Motta havia anunciado a intenção de votar o PL 3278/21, que já teve sua urgência aprovada, em um gesto a prefeitos e governadores.

“Vamos votar um pedido da Frente Nacional dos Prefeitos, que é o novo marco legal para o transporte público urbano. É uma pauta prioritária, que trata de temas que dialogam diretamente com a sociedade brasileira”, afirmou.

O objetivo do PL 3278/21 é criar uma espécie de “SUS” do transporte coletivo, viabilizando legalmente o repasse de verbas da União para o custeio da mobilidade urbana.

O projeto define que pelo menos 60% da arrecadação da Cide-Combustíveis seja obrigatoriamente destinada ao transporte público.

Também prevê regras claras para as concessões no setor, evitando uma situação de precariedade dos contratos e falta de metas ou indicadores de desempenho para a prestação dos serviços pelas empresas.

O texto separa a tarifa do usuário da tarifa de remuneração das empresas, estabelecendo condições legais para que cada prefeito ou governador decida sobre o nível de subsídio às passagens de ônibus e de trens ou metrôs em sua região.

A proposta estabelece ainda que gratuidades e descontos tarifários — que hoje correspondem a 22% dos custos das tarifas — sejam custeados por recursos já previstos em lei, sem gerar ônus aos demais passageiros.

Atualmente, o Brasil conta com 256 cidades que praticam subsídios públicos para os passageiros, garantindo a modicidade da tarifa, além de outras 182 cidades que adotam a tarifa zero, de forma parcial ou universal.

No mês passado, Priante retirou da proposta trechos que abriam caminho para a criação de novas taxações com o objetivo de financiar o transporte público.

Priante decidiu excluir de seu relatório todo o artigo 30, que incluía a previsão de novas taxações para o financiamento do transporte público:

  • Tarifas sobre estacionamento público
  • Tarifas de congestionamento
  • Tarifas sobre plataformas tecnológicas de intermediação do serviço de transporte, como Uber e 99
  • Pedágio urbano para áreas, dias e horários específicos
  • Regime de tributação diferenciado em decorrência da emissão de poluentes
  • Contribuição de melhoria decorrente de valorização imobiliária por investimentos públicos, como novas linhas e estações de metrô
  • Taxação, inclusive sobre empresas, pela disponibilidade de serviços de transporte coletivo

O relator decidiu seguir por esse caminho depois de controvérsia, nas redes sociais, sobre a criação de novas tributações.

“Além de gerar polêmica desnecessária e deixar a bola quicando para lacradores, esse trecho do projeto invadia atribuições municipais e estaduais”, disse Priante.

Segundo ele, os dispositivos — incluídos pelo governo em substitutivo aprovado pelo Senado em 2024 — têm constitucionalidade questionável e jurisprudência contrária no STF (Supremo Tribunal Federal).

A decisão de retirada de todo o artigo 30 não significa um revés definitivo para essas novas fontes de receita ao transporte público, mas deixam essa possibilidade a cargo das prefeituras.

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Fonte : CNN

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