O presidente Donald Trump não encontrou ainda no Irã uma Delcy para chamar de sua.
Delcy era a vice-presidente da Venezuela quando o republicano capturou Nicolás Maduro e se mostrou disposta a transformar o país em uma espécie de vassalo dos Estados Unidos, desde que o regime continuasse o mesmo.
No Irã, a estratégia Venezuela não funcionou, pelo menos até agora.
Trump já mudou várias vezes de objetivos declarados para ter iniciado com Israel a guerra contra o Irã. Decapitou o regime repugnante dos aiatolás e devastou parte das forças armadas daquele país, mas parece agora procurar um caminho para declarar vitória.
Ao ensaiar isso nesta segunda-feira (9), Trump causou um recuo dos preços do petróleo, que a guerra dele tinha jogado nas alturas, pois os mercados e os governos ao redor do planeta entendem que o fator fundamental para calcular o efeito da guerra sobre a economia global – fora o resto – é o tempo que ela vai durar.
Do jeito que está, a curto prazo, os Estados Unidos sofrem menos do que Europa e Ásia. O Brasil fica dividido entre vantagens, pois exporta petróleo, e desvantagens, pois energia cara pisa na inflação, no Banco Central nos juros e na popularidade do presidente disputando reeleição.
A guerra contra o Irã foi uma guerra de escolha, e como toda guerra de escolha, determinar quando e como vai acabar dificilmente fica sob controle de quem começou.
Em vez de uma Delcy da Venezuela, o brutal regime iraniano escolheu para sobreviver e continuar mais uma figura de dentro do imenso aparato religioso, administrativo, econômico e militar. Trump queria até influir nessa escolha.
Na Venezuela tinha alguém para combinar o jogo, no Irã parece que não.
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Fonte : CNN