A queda na taxa Selic, nesta quarta-feira (18), podia ser maior? Podia. O buraco fiscal do governo com subsídios a combustíveis podia ser menor? Podia. E os próprios preços de combustíveis também? Podiam, não fosse a guerra no Irã.
O importantíssimo setor da agroindústria brasileira estaria menos preocupado em obter insumos, especialmente fertilizantes? As cadeias de comércio menos ansiosas com inflação e dificuldades de frete? Também.
A guerra no Oriente Médio é um exemplo clássico de impacto geopolítico, acontecimento aparentemente distante daqui, mas de impacto imediato na vida de todos nós. Até aí é o que acontece com qualquer grande conflito, como foi o caso recente da invasão russa na Ucrânia, mas o conflito no Irã tem um lado muito peculiar.
A superpotência Estados Unidos não deixou muito claro até onde queria chegar ao seguir Israel e atacar os iranianos e agora não consegue deixar muito claro quais as condições para a guerra parar.
O problema é que, mesmo se Donald Trump decretar vitória agora à noite e parar a operação militar, os danos já são de prazo razoavelmente longo. Na fase mais recente do conflito, os ataques ocorreram onde mais se temia, na infraestrutura de vários países exportadores de energia, e não só no Irã.
Mesmo que o Estreito de Ormuz volte ao normal até o fim de abril, por exemplo, é difícil pensar que as coisas fiquem como estavam antes.
Isso tem menos a ver com a retomada do fluxo de petróleo e tudo a ver com os impactos geopolíticos em termos de imprevisibilidade e insegurança generalizada, não só no Oriente Médio.
Confirma-se o velhíssimo ditado: ninguém que começa uma guerra sabe com certeza como ela termina.
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Fonte : CNN