Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso novamente nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A novela teve início em novembro do ano passado, quando a instituição financeira foi liquidada após ser constatada uma teia de fraudes evolvendo CDBs, tentativa de venda suspeita e uso indevido de aposentadorias.
O banqueiro já havia sido preso à época da liquidação do Master, em 17 de novembro. Em menos de duas semanas, teve sua prisão preventiva revogada pelo TRF (Tribunal Regional Federal), e foi solto. Desta vez, a nova ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Dos CDBs à tentativa de venda para o BRB
Uma série de irregularidades ocasionaram na liquidação do Master em novembro de 2025. A principal delas foi a comercialização de CDBs (Créditos de Depósito Bancário) com taxas de retorno (juros) praticamente impossíveis, chegando a 140% do CDI.
Os CDBs, por si só, não foram o estopim para a liquidação, mas um alerta ao mercado tendo em vista que a instituição não conseguia honrar seus compromissos financeiros nos prazos de vencimento dos investimentos.
Com o sinal de atenção, a tentativa de venda do Master para o BRB (Banco de Brasília) também se tornou um ponto crítico.
A investigação da PF (Polícia Federal) trouxe suspeitas de que a negociação se tratava de um escândalo bilionário, com a descoberta de que os ativos vendidos ao BRB eram fraudulentos e sem lastro real.
Existem também indícios que o BRB estava ciente da compra de “ativo podres”, na intenção de participar do esquema fraudulento.
O Banco de Brasília não foi o único a estar ligado ao caso Master. A Reag, outra instituição também liquidada pelo BC, se conectava ao banco de Vorcaro através de uma extensa rede de fundos de investimento. Diversos outros fundos também estavam ligados ao cunhado de Vorcaro.
Mais duas instituições financeiras estão na lista. Dias antes da liquidação do Master, o Grupo Fictor – holding financeira e do setor de alimentos – tentou comprar o banco em um aporte de R$ 3 bilhões destinados ao fortalecimento de capital do Master. Após alguns meses, a holding entrou em recuperação judicial.
Recentemente, a Will Financeira (Will Bank), controlada pelo Banco Master, sofreu uma liquidação extrajudicial realizada pelo BC (Banco Central). A empresa tinha sido poupada em novembro de 2025, mas se tornou “inevitável” devido a situação financeira da instituição e sua conexão com o Master.
Aposentadorias em risco
O Banco Master também esteve envolvido em uma série de polêmicas envolvendo fundos de previdência de estados e municípios que investiram recursos de pensionistas na instituição financeira. O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pela instituição, enquanto o Amapá depositou R$ 400 milhões.
O caso também envolve a venda de créditos consignados para pensionistas, que alcançou o INSS e motivou a criação de uma investigação sobre o assunto, a CPMI. Vorcaro, por sua vez, se recusou a depor na audiência.
Após a nova prisão nesta quarta-feira (4), a defesa do banqueiro negou que o empresário tenha obstruído as investigações relacionadas à instituição financeira.
Liquidações deixam rombo no FGC
No início de fevereiro, o BC decretou a liquidação do Banco Pleno, instituição controlada pelo ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Além do banco, também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários entrou na decisão da autoridade monetária. Com a decisão, subiu para oito o número de instituições ligadas ao caso Master em regime de liquidação extrajudicial.
Com esse balanço de liquidações, o custo para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) já alcança cerca de R$ 51,8 bilhões.
Sobre o Banco Master, o fundo arca com um custo de R$ 40,6 bilhões, mais R$ 6,3 bilhões do Will Bank e agora os R$ 4,9 bilhões envolvendo o Banco Pleno.
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Fonte : CNN