O retorno às aulas após o período de férias ou de um feriado prolongado, como o Carnaval, costuma estar associado ao aumento de doenças infecciosas entre crianças e adolescentes.
A convivência na escola em ambientes coletivos, com contato próximo entre colegas e professores, favorece a circulação de vírus e outros microrganismos, especialmente no início do ano letivo.
Médicos observam aumento na procura por atendimento nesse período. “Entre as situações mais frequentes estão infecções por rinovírus, influenza, Covid-19, bronquiolite –especialmente em menores de dois anos–, crises de asma, além de gastroenterites virais com vômitos e diarreia”, afirma Thales Araújo de Oliveira, pediatra e gerente do pronto-socorro e do centro de excelência do Sabará Hospital Infantil.
Durante as férias, o convívio social tende a ser mais restrito. No ambiente escolar, há maior interação entre crianças, compartilhamento de objetos e permanência prolongada em espaços fechados, fatores que facilitam a transmissão de agentes infecciosos. Além disso, muitas crianças ainda estão consolidando hábitos adequados de higiene.
Alterações na rotina de sono e alimentação durante as férias podem influenciar a adaptação ao novo ritmo escolar. “A recomendação é retomar gradualmente os horários de sono e alimentação alguns dias antes do início das aulas, favorecendo uma adaptação mais equilibrada à nova rotina”, diz Oliveira.
Medidas que reduzem transmissão
Embora não seja possível eliminar completamente o risco de infecções, algumas medidas reduzem significativamente a transmissão.
Segundo o pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel é essencial, principalmente antes das refeições. Orientar crianças a cobrir boca e nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar também faz diferença.
Evitar compartilhar objetos de uso pessoal, manter ambientes ventilados e manter a vacinação atualizada são estratégias comprovadas, ele afirma.
Caso a criança apresente febre, vômitos, diarreia ou sintomas respiratórios importantes, o ideal é mantê-la em casa até avaliação médica, evitando a exposição de outras crianças.
“Enviar material de higiene, como álcool gel, e orientar a lavagem das mãos ao entrar e sair dos banheiros são cuidados que fazem diferença. Evitar grandes aglomerações também é importante”, afirma Ejzenbaum.
Alimentação, rotina e imunidade
Não existe um alimento isolado capaz de fortalecer o sistema imunológico. O que contribui para uma resposta adequada do organismo é um conjunto de hábitos: alimentação variada e equilibrada, hidratação adequada, sono regular e prática de atividade física compatível com a idade.
“Esses cuidados não impedem totalmente que a criança adoeça, mas ajudam o organismo a responder melhor às infecções, reduzindo, muitas vezes, a gravidade dos quadros”, afirma Oliveira, do Sabará.
Segundo a pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em neurociência, educação e desenvolvimento infantil, o sono de qualidade é fundamental.
“Crianças que dormem pouco ou mal produzem menos mediadores imunológicos e ficam mais suscetíveis a infecções.”
A alimentação adequada, variada e equilibrada, com oferta regular de frutas, legumes, verduras, proteínas e alimentos naturais, fornece os nutrientes necessários para que o sistema imune funcione bem.
“O acompanhamento pediátrico regular permite avaliar crescimento, desenvolvimento, identificar riscos e orientar a família de forma individualizada”, acrescenta Mariana.
Ela também alerta que vitaminas e suplementos não aumentam a imunidade quando a alimentação, o sono e as vacinas já estão adequados.
Vacinação: estratégia mais eficaz
A vacinação permanece como uma das estratégias mais eficazes para proteção individual e coletiva. Manter o calendário vacinal atualizado, conforme orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações, é fundamental para reduzir o risco de doenças e complicações.
“Para proteger bem seu filho e fortalecer o sistema imune, o principal é manter a vacinação em dia, garantir alimentação adequada, prática regular de atividade física e sono de qualidade. Esses fatores realmente fortalecem a imunidade da criança”, afirma Ejzenbaum.
É importante lembrar que adoecer algumas vezes faz parte da infância e do desenvolvimento imunológico. “O papel da família e do pediatra é diferenciar o que é esperado do que precisa de investigação e garantir que essa criança atravesse esse período com segurança e cuidado”, conclui Oliveira.
Dicas para os pais
- Mantenha a vacinação atualizada, incluindo as vacinas contra gripe e Covid-19, conforme orientações do Ministério da Saúde
- Reforce a higiene das mãos da criança, principalmente antes das refeições e após usar o banheiro
- Ensine a cobrir boca e nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar
- Evite mandar criança doente para a escola para não expor outras crianças
- Garanta sono adequado, boa alimentação e hidratação em casa
- Retome gradualmente os horários de sono e alimentação alguns dias antes do início das aulas
- Mantenha ambientes ventilados sempre que possível, tanto em casa quanto na escola
- Ofereça alimentação variada e equilibrada, com frutas, legumes, verduras, proteínas e alimentos in natura
- Pratique atividade física compatível com a idade da criança
- Observe sinais de alerta como febre persistente, dificuldade respiratória ou prostração, e procure avaliação médica quando necessário
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Fonte : CNN