A Vale registrou um prejuízo líquido de R$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado impactado principalmente por baixas contábeis relacionadas à operação de níquel no Canadá.
Apesar do resultado negativo, a mineradora apresentou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado.
Segundo Marcelo Bacci, CFO da Vale, o prejuízo não afeta a geração de caixa da companhia, que se manteve robusta no período.
“São valores que não afetam a geração de caixa da companhia, tem um efeito contábil, mas, do ponto de vista da performance operacional, nós fomos muito bem”, explicou em entrevista exclusiva ao CNN Money.
Para 2026, as perspectivas são positivas, mesmo com o crescimento mais moderado da China, principal mercado consumidor de minério de ferro. Bacci esteve recentemente no país asiático e relatou um cenário promissor.
Embora o consumo de minério de ferro na China deva crescer apenas até 1%, o executivo considera o cenário favorável devido ao tamanho do mercado chinês, que representa mais de 50% do mercado global.
Investimentos e remuneração aos acionistas
A Vale planeja investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026, com expectativa de manter um patamar próximo a US$ 6 bilhões nos anos seguintes.
Segundo o CFO, a situação financeira da empresa permite manter tanto os investimentos quanto a distribuição de dividendos em níveis expressivos.
Entre os projetos em andamento, Bacci destacou Vargem Grande e Capanema, que devem contribuir para o volume de produção e redução de custos operacionais.
“São projetos importantes para a Vale que vão nos ajudar tanto a entregar o volume de produção que a gente prometeu para o ano, quanto também a reduzir os nossos custos”, explicou.
Foco em metais básicos
O cobre é atualmente o principal foco de crescimento da Vale em metais básicos. A empresa produz hoje cerca de 350 mil toneladas por ano e tem potencial para dobrar esse volume nos próximos 10 anos, chegando a 700 mil toneladas anuais.
Esse crescimento será realizado principalmente com investimentos em ativos já existentes, com destaque para a região de Carajás, no Brasil.
“Toda essa demanda por metais que decorre do crescimento, principalmente do mercado de tecnologia, de inteligência artificial, de data centers, favorece a utilização tanto do minério de ferro quanto do cobre e outros metais”, destacou Bacci.
O executivo também comentou sobre o movimento global para estabilização de preços de minerais críticos, liderado pelos Estados Unidos.
Como maior produtor de níquel do mundo ocidental, com operações no Brasil e no Canadá, a Vale poderia se beneficiar de iniciativas que busquem garantir o acesso a minerais críticos a custos razoáveis para países ocidentais.
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Fonte : CNN