Nos dias após a prisão de Andrew Mountbatten-Windsor por suspeita de má conduta em cargo público, o ex-príncipe enfrentou uma série de alegações sobre o período em que atuou como enviado comercial do Reino Unido e sobre a amizade com o falecido financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Mountbatten-Windsor enfrenta questionamentos sobre como ele viajou para visitar Epstein e se ele usou proteção policial como segurança enquanto estava com ele.
O ex-príncipe não comentou as últimas alegações, mas já havia negado qualquer irregularidade relacionada a Epstein e afirmou que nunca testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do qual o criminoso sexual foi acusado. A CNN solicitou um novo posicionamento e aguarda retorno.
Durante o fim de semana, Gordon Brown, primeiro-ministro britânico de 2007 a 2010, exigiu uma investigação policial para apurar se Mountbatten-Windsor utilizou jatos financiados pelos contribuintes e bases da RAF (Força Aérea Real) para se encontrar com Epstein, segundo o jornal The Telegraph.
Brown, que tem desempenhado um papel de liderança na exigência de responsabilização dos britânicos com ligações a Epstein, enviou cartas a seis forças policiais sugerindo que os funcionários públicos fossem interrogados sobre a década em que Mountbatten-Windsor atuou como enviado comercial, antes de ser forçado a renunciar em 2011.
Nas cartas, divulgadas pelo Telegraph, Brown expressou preocupação de que o então Duque de York pudesse ter usado voos fretados da RAF para se deslocar a compromissos pessoais que poderiam envolver Epstein, classificando as viagens como um uso “totalmente inaceitável” de dinheiro público.
O jornal relata que Brown apenas afirmou que as cartas continham “informações novas e adicionais”. O porta-voz do ex-premiê confirmou à CNN que as cartas foram enviadas à polícia, mas não abordou nenhuma das novas informações que ele alega que foram enviadas.
“Enviamos as cartas em caráter privado apenas às forças policiais competentes e não as divulgaremos publicamente enquanto a investigação estiver em andamento”, disse o porta-voz.
Documentos revelam encontro entre Andrew e Epstein em Nova York
E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos também parecem mostrar que agentes da Polícia Metropolitana de Londres, pagos com dinheiro público, receberam instruções para fornecer segurança a um jantar na casa de Epstein em Nova York.
Vários e-mails discutem os preparativos para o ex-príncipe se hospedar com o criminoso sexual em dezembro de 2010 – mais de um ano depois de Epstein ter sido libertado da prisão, onde cumpriu 13 meses de uma sentença de 18 meses por aliciar uma menor para prostituição.
Numa troca de mensagens de novembro daquele ano, o então secretário particular de Andrew pede a um indivíduo, cujo nome foi omitido, para confirmar o endereço de Epstein e “se há espaço para os dois agentes de proteção dele na casa dele?”
O que se seguiu pareceu ser uma discussão interna entre a equipe de Epstein, com um indivíduo não identificado confirmando que “haverá espaço para os dois guarda-costas de Andrew… um no 4º andar e outro no 5º andar”.
Um e-mail enviado a Epstein em 1º de dezembro por um integrante de sua equipe, cujo nome foi omitido, dizia: “Os dois seguranças do Duque, juntamente com a segurança do Estado, estarão aqui para o jantar de amanhã. Rich já lhes deu instruções sobre a entrada”.
Como integrante sênior da família real na época, o então príncipe Andrew teria recebido proteção policial como parte de sua segurança.
Mesmo assim, os e-mails causaram indignação no Reino Unido sobre o motivo pelo qual as autoridades consideraram apropriado mobilizar recursos policiais para permitir que Mountbatten-Windsor viajasse até a casa de um criminoso sexual condenado.
Os e-mails estavam entre os 3,5 milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça, o que levantou questões sobre se os agentes de segurança tinham conhecimento da conduta de Andrew.
Na semana passada, a Polícia Metropolitana afirmou que, até o momento, não havia identificado nenhuma irregularidade por parte de nenhum dos agentes de proteção.
A agência acrescentou ainda que estava “identificando e contatando policiais, tanto da ativa quanto aposentados”, e pedindo que “considerassem cuidadosamente se viram ou ouviram algo durante o período em que estiveram em serviço”, enquanto continua avaliando as informações após a divulgação dos arquivos de Epstein.
A polícia também pontuou estar ciente de que as revelações do Departamento de Justiça sugeriam que os aeroportos de Londres podem ter sido usados para facilitar o tráfico de pessoas e a exploração sexual.
“Estamos avaliando essas informações e buscando ativamente mais detalhes junto aos nossos parceiros da lei, incluindo os dos Estados Unidos”, adicionou.
As autoridades acrescentaram que “nenhuma nova denúncia criminal” foi feita em relação a crimes sexuais em sua jurisdição e que está trabalhando com o grupo de coordenação nacional do Reino Unido, que se uniu para lidar com os casos.
A Polícia Metropolitana afirmou não ter nada mais a acrescentar após sua declaração mais recente, quando contatada pela CNN na segunda-feira (23).
source
Fonte : CNN