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O Brasil se prepara para receber a TV 3.0, nova geração da difusão televisiva combinada com o uso da internet. Prevista para estrear durante a Copa do Mundo de futebol, em junho, a tecnologia passa pelo desenvolvimento em diferentes aspectos do setor, desde órgãos regulatórios ao conteúdo das emissoras.

Mesmo com uma estreia no meio do ano, a transição para a tecnologia em todo o Brasil pode levar anos. O processo passa, inclusive, por mudanças nos próprios televisores.

TV 3.0 vai precisar de conversor?

Sim. Assim como a transição da TV analógica para a digital no final da década de 2000 exigiu conversores ou televisores com o componente, a TV 3.0 vai passar pela mesma situação.

O presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), Paulo Henrique Castro, explica ao Canaltech que os modelos disponíveis atualmente no mercado não são adaptados para a nova geração de TV, então ainda será necessário usar um conversor para receber o sinal.

“A nova tecnologia traz inovações que não existiam quando os aparelhos atuais foram fabricados, com ganhos em qualidade, robustez e redução do risco de obsolescência no longo prazo. Isso é comum em transições tecnológicas, como ocorreu na migração da TV analógica para a digital”, explica.

A tendência é que aparelhos já pensados para a nova geração sejam fabricados nos próximos meses, quando a mudança desembarcar por aqui.

Como o conversor vai funcionar?

A TV 3.0 é uma convergência entre o sinal de rádio tradicional (responsável pelas transmissões de TV atuais) com o sinal de internet. Como os receptores das TVs não comportam o sinal da web, será necessário usar um equipamento para captar todos os sinais.

“O conversor capta o sinal transmitido pelo ar por meio de duas entradas de antena e
se disponível uma conexão de internet, seja Wi-Fi, cabeada ou a que você tiver em
casa. A TV 3.0 utiliza uma configuração com múltiplos inputs (colocar em itálico pq é em inglês) e múltiplos outputs, já empregada em celulares e redes Wi-Fi, permitindo que dois sinais sejam transmitidos pela mesma torre e recebidos e combinados no receptor, diferentemente do padrão atual, que utiliza apenas uma antena”, detalha Castro.

O presidente da SET alerta que os conversores ainda não estão disponíveis comercialmente e apenas alguns protótipos são usados nos testes. O componente deve ter uma saída HDMI (Interface de Alta Definição Multimídia, da sigla em inglês) para ser conectada ao televisor atual e transmitir áudio e vídeo.

O que falta para a nova tecnologia ser implementada?

O prazo até junho é curto, mas diferentes setores do mercado de radiodifusão já se movimentam para trazer a nova geração da tecnologia.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu uma consulta pública nesta semana para receber sugestões de melhorias em canais oficiais, enquanto o Ministério das Comunicações desenvolve uma portaria de políticas públicas para a consignação de canais, segundo Castro.

Há, ainda, o desafio criativo entre emissoras e produtoras de televisão para explorar a tecnologia e trazer uma experiência adaptada ao Brasil. “É preciso desenhar produtos que explorem plenamente as capacidades integrando definitivamente a TV no ecossistema digital, que permite tantas inovações em negócios”, conclui.

Quais serão os benefícios da TV 3.0?

A TV 3.0 vai combinar interatividade com melhorias nas qualidades de áudio e vídeo. Alguns destaques incluem:

  • Suporte a transmissões em 4K e até 8K;
  • Possibilidade de interagir com conteúdos, como participar de votações em tempo real ou mudar ângulos de câmera em transmissões esportivos;
  • Navegação por aplicativos no lugar de números de canais;
  • Anúncios segmentados;
  • Possibilidade de compras pela tela;
  • Áudio imersivo com suporte a múltiplos canais com tecnologia como Dolby Atmos;
  • Suporte a maior alcance dinâmico (HDR) para mostrar cores mais vivas;
  • Ferramentas avançadas de acessibilidade, incluindo comandos de voz e libras.

*Texto escrito pelo repórter André Magalhães, do Canaltech, em colaboração para a CNN Brasil

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Fonte : CNN

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