O julgamento da turista argentina Agostina Páez, acusada por injúria racial em um bar na zona sul do Rio, terá início nesta terça-feira (24), segundo o TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro). A defesa pede que a acusada responda ao processo em liberdade.
Anteriormente, a Justiça acolheu as medidas cautelares e determinou a proibição de saída do país, a retenção do passaporte e o uso de tornozeleira eletrônica.
A defesa afirma que a acusada reconhece que reagiu de “forma inadequada” diante do conflito no bar, que se arrepende e que pede desculpas por suas atitudes.
“Agostina, uma pessoa sem antecedentes e plenamente identificada, já pagou um preço emocional e social muito alto por seu ato, e segue disposta a reparar e aprender com o ocorrido dentro dos limites da lei e da Justiça. (…) É essencial lembrar que o sistema de justiça não deve atuar movido pelo clamor popular, mas sim pela ponderação, imparcialidade e estrita observância dos direitos e garantias fundamentais“, diz a advogada dela, Carla Junqueira.
Relembre o caso
O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) denunciou a turista argentina Agostina Páez por ofensas racistas contra quatro funcionários de um bar em Ipanema, na zona sul do Rio. A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira (2) pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Zona Sul e Barra da Tijuca, que também requereu a prisão preventiva da acusada.
De acordo com a ação penal, a turista estava com duas amigas em um bar, na Rua Vinícius de Moraes, quando houve divergência sobre o valor da conta. Segundo o Ministério Público, ela teria se dirigido a um dos funcionários utilizando a palavra “negro” de forma ofensiva, com a finalidade de discriminá-lo em razão da raça e da cor.
Ainda conforme a denúncia, após ser alertada de que a conduta configurava crime no Brasil, a acusada teria chamado a funcionária do caixa de “mono” — termo em espanhol que significa “macaco” — além de realizar gestos simulando o animal.
O MPRJ relata que, depois de deixar o estabelecimento, a turista voltou a proferir expressões e a fazer gestos semelhantes na calçada em frente ao bar, direcionados a três funcionários.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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Fonte : CNN