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Cientistas detectaram a presença de cocaína, cafeína e fármacos no sangue de tubarões capturados nas Bahamas. O estudo, publicado na revista Environmental Pollution, analisou amostras coletadas na Ilha de Eleuthera e revelou que áreas marinhas antes consideradas preservadas estão sendo atingidas por resíduos químicos derivados da atividade humana.

Esta é a primeira vez que esse tipo de contaminante é registrado em tubarões na região.

Espécies afetadas e substâncias detectadas

A pesquisa monitorou cinco espécies de tubarões, mas as detecções ocorreram especificamente no tubarão-recifal-do-caribe (Carcharhinus perezi), no tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e no tubarão-limão (Negaprion brevirostris).

Além da cocaína, os exames laboratoriais identificaram vestígios de diclofenaco (anti-inflamatório), acetaminofeno (paracetamol) e cafeína.

De acordo com os dados obtidos por meio de espectrometria de massas, o diclofenaco foi a substância mais frequente, aparecendo em sete indivíduos da espécie tubarão-recifal-do-caribe.

A presença dessas substâncias demonstra que os compostos são biodisponíveis, ou seja, estão circulando no ambiente e sendo absorvidos pela fauna local.

Impactos na saúde dos animais

A exposição a esses contaminantes, classificados como contaminantes de preocupação emergente (CECs), gerou respostas fisiológicas nos animais.

Os tubarões que apresentaram as substâncias no organismo exibiram alterações em marcadores sistêmicos de saúde, como níveis de triglicerídeos, ureia e lactato.

Os pesquisadores destacam que estimulantes como a cocaína e a cafeína estão associados, em outros vertebrados, ao acúmulo de lactato e interrupções no metabolismo lipídico.

Essas alterações indicam um estresse fisiológico que pode comprometer as funções metabólicas, renais e hepáticas dos predadores.

Causas da poluição marinha

O estudo aponta que o crescimento urbano acelerado e o turismo são os principais vetores dessa contaminação.

O aumento no volume de águas residuais e o descarte ineficiente em áreas de expansão imobiliária levam esses compostos químicos diretamente para os habitats costeiros onde os tubarões vivem e se alimentam.

Embora as Bahamas sejam frequentemente percebidas como um ecossistema intocado, os resultados mostram uma pressão antropogênica crescente.

Os autores do estudo reforçam a urgência de estratégias de conservação e gestão ambiental para proteger a biodiversidade marinha, que é fundamental para a economia e a cultura da região.

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Fonte : CNN

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