Durante o discurso do Estado da União, Donald Trump abordou a situação no Irã, afirmando que nunca permitirá que o país obtenha armas nucleares. A declaração foi analisada pela professora de Relações Internacionais da FESPSP, Ana Carolina Marson, que identificou sinais claros de aumento nas tensões entre Washington e Teerã.
Em entrevista ao CNN Novo Dia, a especialista destacou que Trump deixou explícita sua postura de pressão contínua sobre o Irã. “Ele afirmou que preferiria a diplomacia, a negociação, mas que não vai fugir se precisar usar a força. Isso já está muito em linha com os próprios discursos anteriores, com as ações dele”, explicou Marson.
A professora observou ainda que o destaque dado ao Irã durante o State of the Union, considerado “um discurso importantíssimo”, não foi por acaso. “Ele teve todo o poder da retórica para destacar os pontos que considera mais importantes”, afirmou. Segundo a especialista, a menção ao Irã em um contexto de “America First” reforça a disposição de Trump para possíveis incursões militares rápidas, semelhantes às que realizou anteriormente.
“A situação com o Irã, que é já é uma situação bastante tensionada, recebe mais um ponto de pressão. Fica claro, Trump demonstra os pontos principais na agenda de política internacional […] Vemos que quando ele faz essa fala, ele destaca o Irã e isso vem em um contexto de ‘America First’, de ‘nós precisamos defender os estadunidenses'”, relatou a professora.
“Dentro desse contexto, ele já deixa muito claro que as pressões em cima do Irã só vão aumentar”, analisou Marson. A especialista lembrou que Trump tem demonstrado predisposição para ações militares pontuais, como fez no Irã no ano passado e recentemente na Venezuela, dando “todos os indícios de que está disposto a fazer novamente”.
Movimentações militares
A professora também mencionou que já existem movimentações militares americanas que corroboram essa postura: “Vemos que ele começou a deslocar alguns navios para o Estreito de Ormuz, nós vemos uma movimentação de tropas, principalmente dentro do território europeu, e isso fica muito claro que é no sentido de pressionar o Irã para essa negociação”, apontou a professora.
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Fonte : CNN