O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse a interlocutores que recebeu dinheiro da empresa Maridt após a venda de sua participação no resort Tayaya a um fundo ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A informação foi revelada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
Isso teria ocorrido pelo magistrado fazer parte da sociedade na empresa junto com familiares.
Toffoli disse que é sócio há vários anos da Maridt. A empresa — que controlava 33% do Tayaya — é uma sociedade anônima de livro, em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como em companhias abertas.
Ainda segundo o ministro, as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaras à Receita Federal, com origem e destinos rastreáveis.
O magistrado disse ainda que o fundo vendeu as ações para terceiros com lucro. E que o negócio teria sido lícito.
Pagamentos
Foi revelado nesta quarta-feira (11) que Toffoli teria recebido pagamentos a partir de mensagens periciadas pela PF (Polícia Federal) no celular de Vorcaro. O primo do banqueiro, Fabiano Zettel, também alvo das investigações, aparece nas mensagens fazendo referências a esses pagamentos.
Investigadores relataram ainda à CNN Brasil que Toffoli também menciona pagamentos, mas de forma cifrada, segundo uma fonte.
A informação vai ao encontro do relatado pelo analista de política da CNN Brasil Caio Junqueira, que a linha de investigação da PF é se a transferência de recursos a Toffoli partiu da empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayaya.
Suspeição
O gabinete de Toffoli se manifestou dizendo que o pedido da PF para sua suspeição do magistrado no caso do Banco Master se baseia em “ilações” e não tem respaldo jurídico.
Defesa de Vorcaro
Segundo a nota, a PF não tem legitimidade para formular esse tipo de requerimento por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
Em nota, a defesa de Vorcaro diz que tem “preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa”.
“O respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a correta apuração dos fatos. Tudo o que se espera dos responsáveis pela investigação é que exerçam suas atribuições de forma isenta e imparcial, por se tratarem de representantes do Estado com papel fundamental para a democracia.”
“A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais”, finaliza.
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Fonte : CNN