A TIC Trens, concessionária formada pelo grupo Comporte (da família Constantino) e pela chinesa CRRC, espera obter nos próximos dias a licença de instalação para o início das obras do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas.
O documento está em reta final de análise pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e deve permitir a montagem dos primeiros canteiros ainda neste mês.
As obras vão começar com serviços de drenagem e remoção de interferências no trecho Jundiaí-Campinas, que já tem projeto executivo de engenharia, e preveem a instalação de trilhos na faixa de domínio da ferrovia de cargas hoje operada pela MRS Logística.
“Começaremos por esse trecho porque ele é praticamente greenfield (novo)”, afirmou à CNN o diretor-presidente da TIC Trens, Pedro Moro.
“Se tudo der certo, teremos os canteiros iniciais até o fim de março.”

Para executar as obras civis, o grupo Comporte montou uma empresa própria de engenharia — a Engetrens –, que assumiu o contrato de EPC (engenharia, gestão de compras e construção).
Os trabalhos também abrangem a reforma das estações de Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas. “Todas elas são tombadas, o que exige cuidado redobrado”, explica Moro.
Já a chinesa CRRC ficará responsável por toda a infraestrutura de sinalização e comunicações, além do fornecimento de material rodante.
Serão, no total, 22 novos trens. Quinze virão da China para fazer o serviço expresso São Paulo-Campinas (com parada em Jundiaí).
Outras sete composições, produzidas pela CRRC em sua nova fábrica em Araraquara (SP), serão destinados ao TIM (Trem Intermetropolitano) que rodará entre Jundiaí e Campinas.
Projeto
Leiloada em 2024, a concessão é uma PPP (parceria público-privada) de aproximadamente R$ 14 bilhões, com aportes do governo estadual e do consórcio vencedor da disputa.
Em novembro do ano passado, a concessionária assumiu integralmente a operação da Linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), com 17 estações entre a Barra Funda e Jundiaí.
O expresso São Paulo-Campinas, com velocidade de até 140 km/h e 64 minutos de duração, deverá entrar em funcionamento em 2031.
Antes disso, em 2029, a previsão é de entrega do novo TIM entre Jundiaí e Campinas — com três paradas intermediárias.

Hoje o trajeto da Linha 7-Rubi divide espaço com os trens de carga da MRS. Para prorrogar seu contrato de concessão com o governo federal, a empresa de logística se comprometeu a construir uma nova via entre São Paulo e Jundiaí, segregando os trilhos voltados para cargas e para passageiros.
Água Branca
A viagem do Trem Intercidades partirá da estação Água Branca, na zona oeste de São Paulo, que será totalmente reformulada e se tornará um dos maiores polos de integração metroferroviária da América Latina.
No futuro, a “superestação” Água Branca terá cinco andares, 70 mil metros quadrados de área construída e sete plataformas.
Essas plataformas, além do TIC e da Linha 7-Rubi, vão receber os passageiros de outras cinco operações: Linha 3-Vermelha, Linha 6-Laranja, Linha 8-Diamante, Linha 9-Esmeralda e o Trem Intercidades São Paulo-Sorocaba.
Quando tudo estiver pronto, a previsão de Moro é que as receitas da TIC Trens sejam divididas da seguinte forma: 55% provenientes de tarifas, 30% do aporte público do governo estadual e 15% de receitas não tarifárias/acessórias.
Essa parte da arrecadação seria oriunda de exploração comercial, imobiliária e de mídia (publicidade). “Estamos sendo ousados na participação de receitas não tarifárias”, diz Moro.
Duplicação
De acordo com o executivo, a concessionária deve propor ao governo estadual um aditivo para a duplicação da linha no trecho entre São Paulo e Jundiaí, onde o contrato prevê apenas via singela (única) e pátios de manobra ao longo do trajeto para desvio dos trens em cada um dos sentidos. No trecho entre Jundiaí e Campinas, já existe previsão de via dupla para os trens de passageiros.
A TIC Trens está elaborando o projeto básico de engenharia, com uma estimativa detalhada de custos e apontando as vantagens da operação duplicada em todo o caminho do Trem Intercidades, e o apresentará no fim do ano para o poder concedente.
O contrato original, explica Moro, já prevê essa possibilidade. Há um limite máximo de 20% no acréscimo dos aportes estaduais para bancar essa eventual duplicação. A preços de hoje, seria um teto de R$ 2,8 bilhões (considerando o contrato a valores de R$ 14 bilhões aproximadamente).
“Com uma via singela, fizemos todas as simulações e temos plena capacidade de operar com a segurança necessária, respeitando os tempos previstos de viagem em cada serviço”, afirma o executivo.
Por que, então, duplicar? Segundo ele, há dois motivos: diminuir o tempo de recomposição total das operações em caso de qualquer parada inesperada e criar novas possibilidades de serviços alternativos.
“Imagine o caso de uma pessoa que passa mal a bordo, precisa ser socorrida e gera três minutos de atraso numa viagem. Isso provoca um efeito dominó nas operações e pelo menos uma hora até conseguirmos voltar à grade horária prevista. Com a duplicação da via, esse tempo se encurta”, exemplifica Moro.
“Outro ponto são serviços específicos e alternativos ou eventuais expansões. Se for o caso de atender o aeroporto de Viracopos algum dia. Ou uma flexibilidade operacional para transportar passageiros de Campinas para um show no Allianz Parque com intervalos menores do que os previstos. Significa, em resumo, menos engessamento.”
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Fonte : CNN